
A dívida pública externa de Angola atingiu 52,8 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, um aumento de aproximadamente 7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados estatísticos do Banco Nacional de Angola (BNA).
O crescimento ocorre num momento de expansão da economia, com o Produto Interno Bruto (PIB) a registar um crescimento real de 5,32% no primeiro trimestre, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). O ritmo de aumento do endividamento externo superou, assim, o crescimento da actividade económica no período em análise.
A dívida de natureza comercial representa a maior parcela do stock, avaliada em 38,96 mil milhões de dólares, equivalente a 73,8% do total. Segue-se a dívida multilateral, com 10,98 mil milhões de dólares (20,8%), enquanto a componente bilateral corresponde a 2,84 mil milhões (5,4%).
Por credor, o Reino Unido lidera a exposição externa de Angola, com cerca de 17,02 mil milhões de dólares, representando 32,24% do total.
A China ocupa a segunda posição, com 12,51 mil milhões de dólares (23,69%), seguida pelos Estados Unidos da América, com aproximadamente 5,06 mil milhões (9,59%).
Entre os credores africanos, destacam-se a África do Sul, com uma exposição de cerca de 2,10 mil milhões de dólares, e a Nigéria, com aproximadamente 1,25 mil milhões.
O aumento do stock ocorre apesar do desempenho positivo da economia não petrolífera. No primeiro trimestre, este segmento cresceu 6,22%, enquanto a actividade petrolífera registou uma contracção de 0,21%, segundo o INE.
A evolução do endividamento coloca novamente em evidência a pressão sobre as finanças públicas e a capacidade de Angola assegurar o serviço da dívida num contexto de forte dependência das receitas petrolíferas. A variação dos preços do crude e das condições de financiamento internacionais continua a representar um factor de risco para a posição externa do país.
As projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para uma dívida externa equivalente a 38,9% do PIB em 2026, acima dos 36,2% estimados para 2025. Para a dívida pública total, a instituição projecta um rácio de 51,6% do PIB este ano.
Perante este cenário, o FMI tem defendido a continuidade da consolidação orçamental e uma gestão prudente da dívida, ao mesmo tempo que recomenda reformas destinadas a reduzir a dependência do petróleo e a reforçar as fontes de crescimento económico.
O Executivo procura, paralelamente, diversificar as fontes de financiamento. Entre as iniciativas em curso está a abertura do mercado de dívida interna a investidores estrangeiros e a avaliação de emissões denominadas noutras moedas, incluindo o yuan chinês.
O aumento da dívida externa para 52,8 mil milhões de dólares coloca, assim, o comportamento do endividamento entre os indicadores centrais para avaliar a sustentabilidade das contas públicas, sobretudo num período em que Angola procura conciliar investimento, crescimento económico e cumprimento das obrigações financeiras externas.