Embaixadora Guilhermina Prata “despreza” convite oficial do Governo francês
Embaixadora Guilhermina Prata "despreza" convite oficial do Governo francês
GP e macron

A embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola em França, Guilhermina Contreiras da Costa Prata, não participou, na terça-feira, nas comemorações do 14 de Julho, Dia Nacional de França, nem designou qualquer representante da missão diplomática para a tradicional parada militar realizada na Avenida Champs-Élysées, em Paris.

Fontes do Imparcial Press afirmam que a diplomata foi convidada com cerca de um mês de antecedência para assistir à tradicional parada militar na Avenida Champs-Élysées, à semelhança do que acontece anualmente com o corpo diplomático acreditado em França.

Ainda assim, optou por não comparecer – se encontra actualmente em Portugal, em laser – e, ao contrário do que é prática corrente em situações de impedimento, também não delegou a representação em qualquer dos três ministros-conselheiros da Embaixada.

Na cerimónia, Angola esteve representada apenas pelo adido de Defesa junto da Embaixada em Paris, coronel Domingos Rocha Miger, que participou na qualidade de representante da Chancelaria de Defesa, após convite dirigido pelo Ministério da Defesa francês.

A ausência da chefe da missão diplomática é interpretada, por fontes do Imparcial Press, como um incumprimento das práticas protocolares habitualmente observadas nas relações diplomáticas entre os dois países.

Na semana passada, o Imparcial Press noticiou que Guilhermina Prata foi convocada pelo Ministério das Relações Exteriores (MIREX) para prestar esclarecimentos sobre denúncias relacionadas com a gestão da Embaixada de Angola em França.

Fontes contactadas pelo jornal indicam que a reunião acabou por ser adiada para a última semana de Julho, devido à agenda do ministro das Relações Exteriores, Téte António, que esteve ontem em Kampala, Uganda, para compromissos oficiais. A diplomata deverá deslocar-se a Luanda no próximo dia 25, via Lisboa.

A ausência da embaixadora ocorreu no mesmo dia em que o Presidente da República, João Lourenço, endereçou uma mensagem de felicitações ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, e ao povo francês, por ocasião do 14 de Julho.

Na mensagem, divulgada pela Presidência da República, João Lourenço destacou o significado histórico da data e os valores de liberdade, unidade e patriotismo associados à Revolução Francesa, manifestando igualmente o desejo de aprofundar as relações de amizade e cooperação entre Angola e França.

As relações bilaterais entre os dois países atravessam uma fase de reforço, marcada pela assinatura, em 2025, de um novo Acordo-Quadro de Cooperação que actualizou o tratado bilateral de 1976.

O instrumento alargou a cooperação às áreas política, económica, científica, cultural, da defesa, da segurança, da educação, da inovação tecnológica e do desenvolvimento do capital humano.

A edição deste ano das comemorações do Dia Nacional francês ficou marcada pelo último desfile militar presidido por Emmanuel Macron antes do termo do seu segundo mandato presidencial. A cerimónia reuniu cerca de 6.700 militares, 98 aeronaves, 31 helicópteros e 315 viaturas militares.

Segundo o Palácio do Eliseu, o desfile pretendeu evidenciar o reforço das capacidades de defesa francesas e da autonomia estratégica europeia, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia e pelo aumento dos investimentos europeus no sector da defesa.

Entre os convidados estiveram o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e vários chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

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