Equipa do general Miala alega ter localizado ossadas da esposa (e generais) de Jonas Savimbi – Mas a UNITA desmente
Equipa do general Miala alega ter localizado ossadas da esposa (e generais) de Jonas Savimbi - Mas a UNITA desmente
Ana Savimbi

Na última segunda-feira, as autoridades angolanas – através da Comissão para a implementação do plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) – anunciaram a descoberta de várias ossadas de algumas figuras de proa do então braço armado da UNITA, as FALA, no Luando, Iocalidade do Tchanji, município do Cuemba, província do Bié.

Segundo as informações das autoridades, as referidas ossadas deverão estar as dos generais Armando Júlio (Tarzan), Altino Bango Sapalalo (Bock), Antero Vieira, António Perestelo Moura, bem como de Ana lsabel Paulino Polipossa “Ana Savimbi”, uma das mulheres do antigo líder da UNITA, Jonas Savimbi.

Refere que, além desses cidadãos, também foram encontradas ossadas de uma menina de 11 a 14 anos, cuja identidade é desconhecida.

Trata-se de um trabalho sob o comando do coordenador da Sub-Comissāo de Segurança, Logística e Infra-estrutura da CIVICOP, o temido general Fernando Garcia Miala.

O registo desse incidente, em que estão envolvidos altos comandantes das extintas FALA, terá ocorrido na sequência da derrota militar que essa força sofreu, a 25 de Abril do ano de 2000, na cidade do Cuito, província do Bié.

O governo justifica a iniciativa com o pedido de familiares que pretendem realizar funerais dos seus parentes.

De acordo com o porta-voz da comissão, Israel Nambi, “na localidade do Cuemba, a delegação testemunhou à exumação e à entrega aos médicos forenses de restos mortais, que seguiram para os correspondentes exames laboratoriais. Segundo fontes orais, tendo em conta os espólios recolhidos, podem tratar-se de altos oficiais militares pertencentes ao antigo braço armado da UNITA, uma senhora e uma criança, podendo tratarem-se dos generais Bock, Perestelo, Tarzan e Antero e a senhora Ana Savimbi, mortos em 2000”.

Israel Nambi garante que os estudos forenses vão ajudar a determinar a identidade dos corpos, com base em doações de amostras dos parentes, uma vez que o processo foi uma solicitação dos próprios familiares.

Mas a UNITA, na voz de Marcial Dachala, levanta dúvidas, alegando tem havido parcialidade da CIVICOP sempre que se trata de vítimas mortas nas áreas que, anteriormente, eram controladas pelo seu partido.

Por isso, queixa-se de aproveitamento político, ao denunciar a CIVICOP pelo facto de se ter distanciado do foco para o qual foi criada.

“Para nós, a CIVICOP foi criada no quadro da reconciliação nacional e, era nossa convicção também, de que funcionaria, cumprindo esse espírito. Ora, sempre que se trate de vítimas que, infelizmente, aconteceram nas áreas onde esteve a UNITA, assistimos a todo um aproveitamento político, o que não contribui para reconciliação nacional”, recordou o porta-voz do maior partido na oposição.

Criação da CIVICOP

Em Abril de 2019, o Presidente da República, João Lourenço, ordenou a criação da CIVICOP, com vista a elaborar um plano geral de homenagem às vítimas dos conflitos políticos, ocorridos em Angola, entre 11 de Novembro de 1975 (dia da Independência) e 4 de Abril de 2002 (fim da guerra).

O Plano de Reconciliação em Memória às Vítima de Conflitos Políticos prevê, entre outras questões, a emissão de certidões de óbito e a construção de um memorial único para todas as vítimas dos conflitos políticos registados no país.

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