Filha de Nandó dá ultimato aos irmãos para entregarem bens da herança sob pena de responsabilidade criminal
Filha de Nandó dá ultimato aos irmãos para entregarem bens da herança sob pena de responsabilidade criminal
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A disputa em torno da herança do antigo vice-Presidente da República Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” ganhou um novo capítulo, com a filha Elizabete Zenilda Dias dos Santos Pereira Burity, nomeada cabeça-de-casal no processo de inventário facultativo, a exigir aos restantes herdeiros a entrega de todos os bens pertencentes ao espólio, advertindo que a ocultação de património poderá dar origem a responsabilidades civis e criminais.

Numa notificação datada de 6 de Julho, dirigida aos herdeiros, Elizabete Burity solicita que, no prazo de sete dias (o último dia foi na segunda-feira, 13 de Julho), sejam entregues todos os bens que se encontrem na posse dos familiares, incluindo imóveis, viaturas, embarcações, valores monetários, jóias, documentos de propriedade, participações sociais, cartões bancários, títulos de crédito e demais activos pertencentes à herança.

A filha do antigo dirigente fundamenta o pedido na qualidade de cabeça-de-casal, cargo para o qual foi nomeada por despacho da 2.ª Secção da Sala do Cível do Tribunal da Comarca de Luanda, no âmbito do processo de inventário facultativo n.º 143/26-D1.

Na comunicação, a que o Imparcial Press teve acesso, Elizabete Burity invoca os artigos 2079.º e 2088.º do Código Civil, segundo os quais compete ao cabeça-de-casal administrar e conservar os bens da herança até à sua partilha, podendo exigir a sua entrega aos herdeiros ou a terceiros.

Além dos bens já conhecidos, a notificação solicita igualmente que sejam declarados todos os activos que não constem da relação apresentada ao tribunal, incluindo alegados bens ocultos, créditos, participações sociais e cofres que, segundo o documento, terão sido retirados após um alegado arrombamento.

A herdeira adverte ainda que a ocultação dolosa de bens poderá configurar sonegação de herança, prevista no artigo 2096.º do Código Civil, implicando a perda dos direitos sobre os bens ocultados em benefício dos restantes herdeiros, sem prejuízo de eventual responsabilidade civil e criminal.

A carta estabelece igualmente locais distintos para a entrega dos bens, determinando que viaturas e outros bens móveis sejam encaminhados para o Centro de Produção do 13, em Viana, enquanto documentos, títulos de propriedade, jóias, chaves de imóveis e informação bancária deverão ser entregues num escritório localizado no edifício Domo Center, em Luanda.

Nomeação contestada

A iniciativa surge poucos dias depois de a família Dias dos Santos ter divulgado um comunicado público contestando a nomeação de Elizabete Burity como cabeça-de-casal.

No documento, assinado pela viúva Maria Augusta Tomé Dias dos Santos e por vários filhos do antigo vice-Presidente, os familiares afirmam que a abertura do inventário e a nomeação da terceira filha do casal ocorreram sem o conhecimento nem o consentimento do cônjuge sobrevivo e dos restantes herdeiros.

Os signatários revelam ainda que interpuseram recurso contra o despacho judicial que conferiu a Elizabete Burity a administração da herança, alegando que a decisão viola a ordem legal de deferimento do cargo de cabeça-de-casal prevista nos artigos 2079.º e 2080.º do Código Civil.

Segundo a família, a impugnação encontra-se pendente de apreciação judicial, razão pela qual defendem que qualquer acto relacionado com a administração do património hereditário deve ser praticado com prudência até que exista uma decisão definitiva dos tribunais.

Fernando da Piedade Dias dos Santos, conhecido politicamente por “Nandó”, faleceu a 18 de Dezembro de 2025, aos 73 anos. Antigo vice-Presidente da República, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Assembleia Nacional, deixou um património que inclui imóveis, empresas, participações sociais, embarcações e outros activos, alguns localizados no estrangeiro, segundo informações constantes do processo sucessório.

Desde a sua morte, o processo de partilha tem sido marcado por divergências entre os herdeiros quanto à administração do espólio e à identificação dos bens que integram a herança, disputa que poderá agora conhecer novos desenvolvimentos nos tribunais.

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