Flávio Bolsonaro autoproclama-se líder do Brasil e promete dirigir oposição a partir dos EUA
Flávio Bolsonaro autoproclama-se líder do Brasil e promete dirigir oposição a partir dos EUA
flavio Bol

O candidato derrotado nas urnas nas últimas eleições presidenciais do Brasil, Flávio Bolsonaro, declarou-se líder do país e prometeu dirigir a oposição a partir dos Estados Unidos, onde afirma estar com a família por alegadas razões de segurança, acusando as instituições brasileiras de perseguição política e de envolvimento numa alegada fraude eleitoral.

Numa nota pública dirigida aos brasileiros e à comunidade internacional, a que o Imparcial Press teve acesso, o político declarou que deixou o país por considerar que enfrenta uma perseguição com motivações políticas, garantindo que não abandonou a luta política e que pretende mobilizar a oposição por meios pacíficos e legítimos.

Flávio Bolsonaro contestou o processo eleitoral, alegando irregularidades na votação e acusando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) de actuarem de forma ilegítima.

Sustentou ainda que a alegada fraude eleitoral e o suposto abuso de poder político e económico durante a campanha justificariam a cassação da chapa de Lula da Silva e Geraldo Alckmin.

As acusações foram apresentadas pelo próprio Flávio Bolsonaro, sem que a nota apresente provas que permitam confirmar as alegações.

O político afirmou igualmente que a resposta ao seu questionamento eleitoral foi o início de uma perseguição judicial, referindo medidas que, segundo disse, fariam parte de um roteiro destinado a silenciá-lo, incluindo apreensão de passaporte, censura, prisão domiciliária e condenação.

Na declaração, Flávio Bolsonaro negou ter cometido qualquer crime e afirmou que não existe mandado de prisão contra si, acrescentando que decidiu deixar o Brasil para proteger a família e continuar a exercer a sua actividade política.

O senador agradeceu ao Presidente argentino, Javier Milei, e ao Presidente norte-americano, Donald Trump, bem como ao Governo dos Estados Unidos, pelo acolhimento, destacando a defesa da liberdade de expressão e as garantias jurídicas que diz ter encontrado naquele país.

Flávio Bolsonaro declarou ainda que pretende apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar os apoiantes e os partidos da oposição, prometendo dirigir-se regularmente aos brasileiros e assumir a liderança política a partir dos Estados Unidos.

Na nota, apelou também às instituições brasileiras para que restabeleçam o equilíbrio entre os poderes e à comunidade internacional para que não normalize o que classificou como um regime de excepção.

O político evocou figuras históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de opositores venezuelanos, para justificar a possibilidade de prosseguir a luta política fora do país.

A declaração surge num contexto de forte polarização política no Brasil, com Flávio Bolsonaro a reafirmar a contestação ao resultado eleitoral e a apresentar-se como líder da oposição, enquanto acusa as instituições judiciais de perseguição política.

De salientar que Luiz Inácio Lula da Silva, foi reeleito no domingo, 25, para um quarto mandato, não consecutivo, à frente da Presidência da República, ao vencer a segunda volta das eleições presidenciais, disputada com o senador Flávio Bolsonaro.

Com 99,9% das urnas apuradas, Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), obteve 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% atribuídos a Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral brasileira.

A vitória garante a Lula mais quatro anos de governação, depois de ter exercido a Presidência entre 2003 e 2010 e regressado ao cargo em Janeiro de 2023, após vencer as eleições de 2022.

O actual chefe de Estado brasileiro torna-se, assim, o primeiro Presidente do país a conquistar quatro mandatos através de eleições directas, embora não consecutivos, depois das vitórias eleitorais de 2002, 2006, 2022 e 2026.

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