
Os terrenos onde funcionou o antigo mercado informal do Roque Santeiro e a zona da Boa Vista, no município do Sambizanga, em Luanda, passam para a titularidade plena do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), por decisão do Presidente da República, João Lourenço.
A transferência foi autorizada pelo Despacho Presidencial n.º 371/26, de 25 de Setembro, que determina a passagem para o FSDEA da titularidade plena dos terrenos situados na zona anteriormente ocupada pelo ex-mercado do Roque Santeiro e Boa Vista.
O diploma, publicado em Diário da República, não especifica a área total abrangida pela transferência, nem estabelece um valor patrimonial para os terrenos ou indica, no sumário consultado, o destino que lhes será dado pelo Fundo Soberano.
O antigo Roque Santeiro ocupava uma extensa área do Sambizanga e chegou a ser descrito como um dos maiores mercados informais a céu aberto de África, com uma extensão de cerca de um quilómetro de comprimento por 500 metros de largura.
O espaço foi encerrado em 2010, no âmbito do processo de reordenamento da actividade comercial, tendo muitos vendedores sido transferidos para o então novo mercado do Panguila, no Bengo.
A área estava integrada no projecto de requalificação urbana do Sambizanga, lançado em 2011. O programa previa a construção de infra-estruturas públicas, acessos rodoviários, redes de água e energia, bem como a estabilização das encostas da Boa Vista e do Miramar.
O projecto tinha uma área de intervenção muito mais ampla do que o antigo mercado, estimada em cerca de mil hectares.
Em Dezembro de 2016, durante uma visita à zona, o então Presidente José Eduardo dos Santos foi informado de que eram necessárias cerca de 9.400 habitações para o realojamento das famílias abrangidas pelo processo de requalificação. Àquela altura, apenas cerca de metade das casas tinha contratos garantidos para a sua construção.
A transferência surge num contexto de reforço da carteira de activos do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que tem recebido participações e património recuperados pelo Estado.
Entre os activos transferidos estão o Edifício Thyke, avaliado em 51,3 mil milhões de kwanzas, 15% do capital do Standard Bank Angola e a antiga fábrica têxtil Satec, no Cuanza Norte.
O FSDEA fechou 2025 com activos totais de 4,72 mil milhões de dólares e um resultado líquido de 527 milhões de dólares.
O Fundo participa ainda em projectos como a fábrica de fertilizantes do Soyo e o empreendimento de terras raras do Longonjo, no Huambo.