General Massano terá criticado João Lourenço após reunião do Conselho de Segurança Nacional
General Massano terá criticado João Lourenço após reunião do Conselho de Segurança Nacional
general massano

O chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general João Pereira Massano, terá manifestado fortes críticas à condução política do Presidente da República, João Lourenço, num encontro com altos oficiais do órgão de inteligência militar realizado após a última reunião do Conselho de Segurança Nacional.

Segundo fontes do Imparcial Press, que estiveram presente no encontro, o general Massano terá expressado desilusão com as políticas do Chefe de Estado, chegando a afirmar que João Lourenço seria o primeiro Presidente da sua vida a não demonstrar uma verdadeira tentativa de promover a união entre os angolanos.

De acordo com as mesmas fontes, o oficial terá considerado que determinadas opções da actual governação, em vez de contribuírem para a coesão nacional, estariam a aprofundar divisões na sociedade.

A alegada intervenção terá igualmente incidido sobre o funcionamento das instituições do Estado. João Massano terá criticado aquilo que descreveu como “loucuras de desordem institucional”, apontando particularmente para a relação entre os tribunais e o MPLA, que, na perspectiva que lhe é atribuída, levantam preocupações quanto à independência das instituições e ao funcionamento do Estado de Direito.

As declarações, a serem confirmadas, ganham particular relevância pelo cargo ocupado por Massano e pela natureza do SISM, órgão integrado na estrutura de defesa e segurança do Estado e directamente ligado às matérias de inteligência militar.

Longa passagem pela inteligência militar

João Pereira Massano possui uma longa trajectória nas estruturas de inteligência militar angolanas. Em Setembro de 2006, então brigadeiro, foi nomeado inspector do antigo Serviço de Inteligência Militar (SIM), função que já o colocava entre os oficiais com responsabilidades no sector de informações militares.

Em Janeiro de 2021, Massano foi nomeado director nacional de Preservação do Legado Histórico-Militar do Ministério da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria. Poucos meses depois, em Maio do mesmo ano, o Presidente João Lourenço exonerou-o daquela função e nomeou-o chefe do SISM, depois de ouvido o Conselho de Segurança Nacional.

A nomeação para a chefia do SISM ocorreu no contexto de uma profunda remodelação das estruturas superiores de segurança e defesa, na sequência da saída de Apolinário José Pereira daquele cargo e da exoneração de Pedro Sebastião da chefia da Casa de Segurança do Presidente da República.

Desde então, o general passou a ocupar uma posição central na arquitectura de inteligência militar do país. Em Abril de 2023, por exemplo, dirigiu em Luanda uma conferência de directores de inteligência militar organizada pelo SISM em parceria com o Comando dos Estados Unidos para África (AFRICOM).

Na ocasião, defendeu a cooperação entre serviços de inteligência e afirmou que estes têm responsabilidade estratégica no apoio ao planeamento e às decisões dos dirigentes políticos.

Em Setembro de 2024, Massano esteve igualmente em Washington à frente de uma delegação angolana, numa visita destinada a reforçar a cooperação entre Angola e os Estados Unidos da América no domínio da segurança militar, com particular atenção para o terrorismo e a estabilidade político-militar em África.

Já em 2025, enquanto chefe do SISM, apareceu publicamente associado a iniciativas de valorização da memória militar angolana, tendo apelado à juventude para preservar o legado histórico das extintas FAPLA.

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