Governo quer aproximar indústria transformadora das zonas de produção agrícola
Governo quer aproximar indústria transformadora das zonas de produção agrícola
rui mingues

O Governo angolano pretende aproximar as unidades industriais de transformação das principais zonas de produção agrícola do país, como forma de reduzir a dependência das importações e criar um mercado mais previsível para os produtores nacionais.

A intenção foi manifestada pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns, durante a última edição do CaféCIPRA, subordinada ao tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.

Segundo o ministro, a estratégia passa por incentivar a instalação de indústrias ligadas à transformação de produtos agrícolas primários junto das áreas onde são produzidas as respectivas matérias-primas.

“Aquelas indústrias que são fundamentalmente vinculadas à transformação de produtos agrícolas primários, no sentido da nossa visão a longo prazo, deverão aproximar-se dos locais de produção”, afirmou.

Rui Miguêns referiu que algumas unidades de descasque e explorações agrícolas que incorporam processos iniciais de transformação industrial já foram concebidas segundo esta lógica, permitindo aproximar as diferentes etapas da cadeia produtiva.

Em paralelo, o Governo pretende aumentar a utilização de matérias-primas nacionais pelas unidades industriais existentes, particularmente pelas empresas do sector agro-industrial.

De acordo com o ministro, esta orientação já está reflectida nos instrumentos regulamentares do comércio externo, que procuram transferir progressivamente para a agricultura nacional a responsabilidade pelo fornecimento de matérias-primas às indústrias instaladas no país.

“Temos que transferir a responsabilidade de fornecer matéria-prima para os nossos complexos industriais, principalmente agro-industriais, para a nossa agricultura”, defendeu.

O ministro reconheceu, contudo, que as dificuldades de acesso a várias zonas agrícolas, sobretudo durante o período chuvoso, continuam a constituir um dos principais obstáculos à circulação de pessoas e mercadorias e à ligação entre produtores, centros urbanos e unidades industriais.

O Executivo pretende, por isso, melhorar progressivamente a rede de acessos, com o objectivo de assegurar condições de circulação durante todo o ano nas diferentes regiões do país.

“Este é um tema que o Governo, obviamente, está preocupado em resolver”, afirmou.

Apesar da importância das infra-estruturas rodoviárias, Rui Miguêns rejeitou a ideia de que Angola só poderá alcançar uma produção agrícola em escala quando existirem estradas asfaltadas até ao último município.

O governante destacou, neste sentido, a capacidade dos produtores rurais de desenvolverem actividades agrícolas mesmo em zonas com condições infra-estruturais limitadas.

“Respeito muito a gente do campo, os produtores agrícolas. Porque eles são capazes de transformar um espaço hostil, um espaço sem as condições a que estamos habituados nos centros urbanos, em espaço de produção”, afirmou.

Rui Miguêns lembrou ainda que vários países africanos conseguem manter níveis relevantes de produção agrícola apesar de disporem de redes rodoviárias menos desenvolvidas do que Angola.

Segundo o ministro, o país encontra-se entre os Estados africanos com maior extensão de estradas asfaltadas, particularmente no espaço da África subsaariana.

A estratégia apresentada pelo Ministério da Indústria e Comércio procura, assim, articular produção agrícola, transformação industrial e infra-estruturas, de modo a reduzir a dependência de matérias-primas importadas e criar condições para o escoamento regular da produção nacional.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido