Morte de jovem de 18 anos em esquadra leva à detenção de dois polícias
Morte de jovem de 18 anos em esquadra leva à detenção de dois polícias
esquadra da policia

A Polícia Nacional deteve dois efectivos suspeitos de envolvimento na morte de Daniel Timóteo, de 18 anos, ocorrida no interior da esquadra do Alfa 5, no município do Cazenga, em Luanda.

A informação foi confirmada quinta-feira, 20 de Agosto, pelo porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, que anunciou igualmente a abertura de um processo junto do Ministério Público para apurar as circunstâncias da morte do jovem.

Segundo o porta-voz, o caso remonta a 15 de Agosto, quando Daniel Timóteo terá estado envolvido numa ocorrência relacionada com a alegada danificação do vidro de uma viatura. Dois dias depois, a 17 de Agosto, o jovem deslocou-se à esquadra do Alfa 5 para procurar esclarecer ou resolver a situação.

De acordo com Nestor Goubel, Daniel terá sido maltratado no interior da unidade policial, tendo os efectivos de serviço alegadamente adoptado uma conduta inadequada durante o atendimento.

“O que aconteceu aqui na esquadra é um comportamento que nada abona as acções da Polícia Nacional. É uma situação lamentável e grave, que não corresponde aos princípios e às normas de actuação da nossa corporação”, afirmou.

O responsável sublinhou que nenhum efectivo da Polícia Nacional está autorizado a maltratar ou agredir cidadãos, independentemente das circunstâncias que tenham motivado a sua presença numa unidade policial.

Na sequência das investigações, dois efectivos foram detidos e o caso remetido ao Ministério Público. Os agentes foram ouvidos na quarta-feira, 19 de Agosto, tendo a audição determinado, entre outras medidas, a detenção do graduado de serviço que se encontrava de turno no dia 17, por alegada negligência no atendimento prestado ao jovem.

Além do processo criminal, a Polícia Nacional instaurou um processo disciplinar para apurar eventuais responsabilidades dos efectivos envolvidos. Caso estas sejam confirmadas, poderão ser aplicadas medidas sancionatórias.

A corporação reconhece a gravidade do caso e assegura que os responsáveis serão responsabilizados caso se confirmem as informações relativas às circunstâncias que conduziram à morte do jovem.

Nestor Goubel considerou o sucedido “lamentável” e reiterou que a missão da Polícia Nacional é proteger os cidadãos e garantir a sua segurança.

“A Polícia Nacional existe para proteger e garantir a segurança dos cidadãos, pelo que comportamentos dessa natureza não representam os princípios e valores que devem orientar a actuação dos seus efectivos”, afirmou.

As investigações do Ministério Público deverão determinar as circunstâncias exactas da morte de Daniel Timóteo e as eventuais responsabilidades criminais dos agentes envolvidos.

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