João Lourenço falha Nobel da Paz devido às violações dos direitos humanos em Angola
João Lourenço falha Nobel da Paz devido às violações dos direitos humanos em Angola
JL cad

O Presidente angolano, João Manuel Gonçalves Lourenço, viu a cair por terra o seu sonho de vencer o Prémio Nobel da Paz de 2026, apesar de a sua candidatura ter sido aceite em 2025, numa iniciativa que destacou o papel diplomático de Angola na procura de soluções para conflitos africanos.

O galardão foi atribuído, a 9 de Outubro, à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, antiga alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pelo seu contributo para a promoção da paz e do direito internacional.

A candidatura de João Lourenço foi anunciada em Setembro de 2025 pelo académico e analista angolano Afonso Botáz, que afirmou ter submetido uma proposta de nomeação do Chefe de Estado, justificando a iniciativa com a sua intervenção diplomática em África, segundo informações divulgadas na altura pelo jornal nigeriano Guardian Nigeria.

A iniciativa foi associada, sobretudo, aos esforços de mediação de Angola na região dos Grandes Lagos, em particular nas tentativas de aproximação entre a República Democrática do Congo (RDC) e o Rwanda. João Lourenço foi também designado, em Maio de 2022, Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África.

No âmbito do chamado processo de Luanda, a diplomacia angolana promoveu contactos entre Kinshasa e Kigali, procurando reduzir as tensões e criar condições para uma solução negociada do conflito no leste da RDC. Apesar dos esforços, a região continuou a registar confrontos armados e uma grave crise humanitária.

Em Março de 2025, a Presidência angolana anunciou que Angola deixaria de exercer a mediação no conflito. No mês seguinte, o Presidente togolês, Faure Gnassingbé, foi designado mediador da União Africana. Em Junho do mesmo ano, a RDC e o Ruanda assinaram um acordo de paz facilitado pelos Estados Unidos, sem que isso significasse o fim imediato da violência.

A actuação diplomática de João Lourenço tem incluído ainda posições sobre conflitos internacionais, com a defesa do diálogo, da soberania dos Estados e de soluções políticas para crises armadas.

Críticas à situação dos direitos humanos

A candidatura do Presidente angolano foi anunciada num contexto em que organizações internacionais têm manifestado preocupação com a situação dos direitos humanos, a liberdade de imprensa e a actuação das forças de segurança em Angola.

No Relatório Mundial de 2026, a Human Rights Watch (HRW) denunciou o uso excessivo da força e detenções arbitrárias durante manifestações realizadas em 2025. A organização destacou os protestos de taxistas entre 28 e 30 de Julho, contra o aumento dos preços dos combustíveis, que, segundo os dados citados no relatório, provocaram mortos, feridos e centenas de detenções.

A liberdade de imprensa também foi alvo de críticas. Num relatório publicado a 8 de Outubro de 2026, o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) indicou ter entrevistado 38 jornalistas angolanos que, em conjunto, enfrentaram mais de 200 investigações por difamação criminal desde 2015. Segundo a organização, 31 dos profissionais abrangidos mantinham processos pendentes à data da publicação.

O CPJ alertou para o efeito que o recurso a processos criminais por difamação pode ter sobre o exercício do jornalismo, sobretudo na cobertura de alegadas irregularidades envolvendo responsáveis públicos.

As críticas das organizações internacionais abrangem igualmente detenções de activistas, limitações ao exercício da oposição política e de uso desproporcionado da força em manifestações e actividades dos partidos da oposição.

As autoridades angolanas têm, por seu lado, defendido a legalidade da actuação das instituições e a necessidade de garantir a ordem pública nos termos da lei.

O contraste entre a candidatura de João Lourenço, associada aos esforços diplomáticos para a resolução de conflitos externos, e as críticas internacionais à situação dos direitos humanos em Angola colocou em evidência duas dimensões do seu mandato presidencial.

O Imparcial Press sabe que Presidente angolano foi um dos 287 candidatos foram nomeados para o Prémio Nobel da Paz de 2026, dos quais 208 são pessoas individuais e 79 são organizações, segundo dados divulgados a 30 de Abril pelo Comité Nobel Norueguês.

Em regras, o Comité Nobel Norueguês não divulga publicamente a lista integral dos candidatos, mantendo confidenciais os nomes e os documentos relativos às nomeações durante 50 anos.

Por essa razão, este jornal não pode apurar se a situação dos direitos humanos em Angola teve alguma influência na decisão de não atribuir o prémio a João Lourenço.

A atribuição do Nobel da Paz de 2026 a Navi Pillay foi justificada pelo Comité com o seu contributo para a promoção da paz e do direito internacional, incluindo o trabalho relacionado com a responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

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