
A ministra de Estado para a Área Social, Maria do Rosário Bragança, anunciou esta sexta-feira, em .Mais de metade dos cursos de licenciatura avaliados até ao momento em Angola não conseguiram acreditação por não cumprirem os requisitos exigidos.
A governante, que discursava na cerimónia de abertura do ano académico 2025/2026, explicou que o processo de avaliação e acreditação do ensino superior decorre há dois anos, no quadro da implementação do sistema de garantia da qualidade.
Segundo a ministra, já foram avaliados 520 cursos, representando 46% da oferta formativa de graduação: 145 nas ciências médicas e da saúde, 139 nas ciências da educação e 236 nas áreas de ciência, tecnologia, engenharias e matemáticas. Destes, mais de metade não foram acreditados.
“Os cursos acreditados (condicionalmente) e os não acreditados já apresentaram planos de melhoria, enquanto os que reuniram os requisitos foram recentemente reavaliados e obtiveram desempenho satisfatório”, disse Maria do Rosário Bragança.
A ministra reconheceu o impacto da suspensão da admissão de novos estudantes em cursos não acreditados, mas afirmou tratar-se de uma decisão necessária para garantir a qualidade do sistema de ensino.
O Executivo prevê que, até 2027, todas as instituições públicas e privadas passem por pelo menos um ciclo de avaliação, de forma a promover uma cultura de qualidade, melhorar a gestão académica e reforçar a posição de Angola nos rankings internacionais.
Reabilitação e novas infraestruturas
Na mesma ocasião, a governante anunciou que estão em curso obras de construção e reabilitação em várias instituições públicas de ensino superior, nas províncias do Cuanza-Norte, Cunene, Moxico, Bié e Zaire.
Entre os principais projectos, destaca-se a construção do Hospital Universitário da Universidade Agostinho Neto, no município da Camama, em Luanda, que permitirá melhorar a formação médica e integrar ensino, investigação científica e assistência hospitalar.
A Universidade do Namibe também será ampliada, com novas estruturas para aumentar a sua capacidade funcional. Estão igualmente asseguradas as condições para a construção de infraestruturas das 10 unidades orgânicas da Universidade Agostinho Neto, incluindo a Faculdade de Medicina, o Instituto de Ciências de Saúde e o Instituto de Educação Física e Desporto.
O plano de reabilitação e expansão abrange ainda as universidades Katyavala Bwila (Benguela), José Eduardo dos Santos (Huambo), 11 de Novembro (Cabinda), Rainha Njinga a Mbande (Malanje) e Cuito Cuanavale (Cuando Cubango), bem como os Institutos Superiores de Educação (ISCED) do Uíge, Huambo, Huíla e Benguela, além da Escola Superior Pedagógica do Bengo, em Caxito.
Maria do Rosário Bragança acrescentou que a requalificação do Centro Nacional de Investigação Científica (CNIC) e a construção do Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda estão na fase final, prevendo-se a sua conclusão ainda este ano.
O acto de abertura do ano académico contou com a presença do ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, do governador provincial do Cuanza-Norte, João Diogo Gaspar, autoridades tradicionais, religiosas e outras individualidades ligadas ao sector.