
Critiquei-o inúmeras vezes. Não por maldade, mas por convicção. Acreditava que Massanga Savimbi ainda não estava preparado para liderar a UNITA — um partido moldado por uma história densa, por lutas internas e por figuras de peso.
O nome que carrega é, por si só, um fardo e uma responsabilidade histórica. Mas um gesto mudou a minha percepção.
Massanga convidou-me para um diálogo. Eu queria compreendê-lo melhor; ele queria fazer-se compreender. O diálogo foi breve, mas carregado de significado.
Do outro lado da linha, não estava apenas um candidato, mas um jovem disposto a desafiar o aparelho do partido, o peso da tradição e a lógica da desconfiança.
Falou-me com serenidade e sinceridade. Disse que não era o sobrenome que o movia, mas o desejo de construir pontes, de reconciliar, de enterrar o passado. Palavras simples, mas profundamente subversivas num país onde o diálogo ainda é visto como sinal de fraqueza.
A oposição que enfrenta não é pequena. São os mais velhos, moldados pela disciplina do pai, que o olham com suspeita. Acusam-no de estar ao serviço do MPLA, como se a busca pela reconciliação fosse traição.
Mas talvez seja justamente essa ousadia — a de estender a mão ao outro lado — que Angola mais precisa neste tempo de cansaço e desilusão política.
Vivemos numa cultura onde a desconfiança ainda dita os gestos. Por isso, o simples ato de escutar o outro já é, em si, revolucionário.
Reconheço agora: talvez tenha julgado Massanga com dureza. Talvez tenha confundido juventude com inaptidão. Hoje vejo nele um homem em formação, consciente do peso da sua história, mas disposto a reescrevê-la com coragem e humildade.
A UNITA precisa de renovação. Angola precisa de pontes. E Massanga, com todas as suas limitações e virtudes, pode ser parte dessa travessia.
Tive o privilégio de ouvi-lo — e de repensar. Em nome da nova Angola, aceitaria também um chá com Tchizé ou Isabel dos Santos. Porque o futuro constrói-se quando os diferentes se escutam.
Deus abençoe Angola.
*Jornalista