
A Subcomissão de Candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário do MPLA invalidou esta terça-feira, 03 de Novembro, a candidatura do militante António Venâncio à presidência do partido, afastando-o da corrida à liderança da formação política no poder em Angola.
A decisão foi anunciada pela estrutura responsável pela recepção e verificação dos processos de candidatura, numa fase em que decorre a preparação do congresso, marcado para 09 e 10 de Dezembro, em Luanda.
António Venâncio formalizou a candidatura em 23 de Outubro, através do seu mandatário, Hélder Ludi, que entregou o processo à subcomissão, acompanhado de mais de 6.000 assinaturas de apoio.
O mandatário manifestou, na ocasião, confiança no trabalho de mobilização desenvolvido nas 21 províncias do país, considerando que o processo reflectia a adesão de militantes ao projecto de candidatura.
A apresentação do processo ocorreu depois de a candidatura do general na reserva Higino Carneiro ter sido anulada, deixando António Venâncio como outro nome na disputa interna, além do actual presidente do partido, João Lourenço.
A candidatura de António Venâncio encontrava-se em fase de verificação de conformidade documental, depois de o prazo de submissão dos processos ter terminado a 25 de Outubro.
Segundo o calendário eleitoral divulgado pela estrutura preparatória, a verificação das candidaturas decorreu entre 26 de Outubro e 01 de Novembro, estando a comunicação das decisões sobre a validade ou invalidade dos processos prevista para o período de 02 a 05 de Novembro.
A candidatura de João Lourenço já tinha sido validada, com 98,10% das subscrições apresentadas, segundo informações divulgadas durante o processo interno.
O afastamento de António Venâncio reduz o número de candidaturas à presidência do MPLA, num congresso que deverá eleger a liderança do partido para o próximo ciclo político, numa altura em que Angola se prepara para as eleições gerais de 2027.
Militante do MPLA há mais de 50 anos e engenheiro de formação, António Venâncio tem defendido maior participação interna e apresentou-se como alternativa à actual direcção partidária.
A candidatura de Higino Carneiro, por sua vez, foi anulada sob alegações de irregularidades nas fichas de subscrição e nos documentos apresentados.
O Comité Central manteve posteriormente a decisão, após recurso hierárquico, tendo anunciado igualmente a abertura de um processo disciplinar e a comunicação dos factos à Procuradoria-Geral da República, por suspeitas de falsificação documental.
O IX Congresso Ordinário do MPLA realiza-se a 09 e 10 de Dezembro, sob o lema “MPLA 70 anos – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”, reunindo cerca de 3.000 delegados para definir a orientação política e eleger os órgãos de direcção do partido.