PGR investiga responsáveis da direcção municipal da Saúde do Waku Kungo por suspeita de corrupção
PGR investiga responsáveis da direcção municipal da Saúde do Waku Kungo por suspeita de corrupção
saude waku kungo

Três altos funcionários da Direcção Municipal da Saúde do Waku Kungo, na província do Cuanza-Sul, estão a ser investigados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) local, por alegado envolvimento num esquema de recebimento indevido de valores monetários, que poderá configurar crime de corrupção activa.

Segundo fontes próximas do processo, os visados são o director municipal, Carlos da Silva Azevêdo, o chefe de Secção de Planeamento Estatística e Recursos Humanos, Ruben de Jesus Contreiras Gaspar, e o Pascoal Agostinho.

As investigações indicam que, no mês de Setembro, os três responsáveis terão recebido cerca de um milhão e 400 mil kwanzas em numerário das mãos de Jeremias, gestor da empresa VMD, sediada no Waku Kungo e vocacionada à venda de peças de motorizadas e comércio geral.

De acordo com informações apuradas pelo Imparcial Press, o montante terá sido repartido entre os três gestores e usado para fins pessoais.

Durante o interrogatório, os suspeitos justificaram o recebimento do dinheiro afirmando que se destinava a “apoiar a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite”.

Contudo, fontes ligadas ao sector da saúde desmentem essa versão, lembrando que a campanha de vacinação é financiada com recursos próprios e supervisionada por parceiros internacionais, não necessitando de apoios avulsos de empresas privadas.

A discrepância entre as justificações apresentadas e os factos conhecidos levanta fortes indícios de corrupção e tráfico de influência, uma vez que a empresa VMD não possui qualquer contrato em vigor com a Direcção Municipal da Saúde em 2025, o último vínculo ocorreu em 2024, relacionado com serviços de manutenção de viaturas.

As autoridades acreditam que o pagamento feito pela VMD visava influenciar futuras adjudicações públicas e garantir benefícios em contratos vindouros com a Direcção Municipal da Saúde.

“Trata-se de um caso clássico de corrupção administrativa, em que agentes públicos usam a função para extrair ganhos pessoais, comprometendo a integridade das instituições”, disse ao Imparcial Press uma fonte do SIC sob anonimato.

Até ao momento, a Direcção Provincial da Saúde do Cuanza Sul e o Ministério da Saúde não se pronunciaram sobre o caso, o que tem gerado críticas de cidadãos e de funcionários públicos locais, que pedem maior transparência e responsabilização dos gestores públicos.

Organizações da sociedade civil na província alertam que a corrupção a nível municipal está a minar o funcionamento dos serviços básicos, sobretudo na saúde, onde “os escândalos de desvio de fundos coexistem com a falta de medicamentos, de transporte e de condições hospitalares”.

O processo encontra-se agora em fase de instrução preparatória, devendo a PGR decidir se apresenta acusação formal contra os envolvidos.

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