Pobreza multidimensional afecta 49,3% da população angolana
Pobreza multidimensional afecta 49,3% da população angolana
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Cerca de 18,7 milhões de angolanos, correspondentes a 49,3% da população, vivem em situação de pobreza multidimensional, segundo o Índice Global de Pobreza Multidimensional de 2026, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano da Universidade de Oxford (OPHI).

De acordo com os dados estatísticos do relatório, Angola registou um índice de pobreza multidimensional de 0,267, com base num inquérito realizado em 2023/2024, evidenciando as privações enfrentadas por uma parte significativa da população em áreas fundamentais para o bem-estar.

O documento destaca que, apesar dos progressos registados em alguns países na redução da pobreza multidimensional, o crescimento demográfico pode contribuir para aumentar o número absoluto de pessoas afectadas, mesmo quando a proporção da população em situação de pobreza diminui.

A pobreza multidimensional distingue-se da pobreza exclusivamente monetária por considerar as condições concretas de vida das famílias, incluindo o acesso à educação, à saúde, à electricidade, à água potável e ao saneamento, bem como as características da habitação e a posse de bens essenciais.

Angola entre os países mais afectados

O relatório coloca Angola entre os países lusófonos com maior incidência de pobreza multidimensional, sendo apontada como o terceiro mais afectado neste grupo e o sétimo da África Subsariana em número de pessoas abrangidas, de acordo com os dados divulgados sobre o estudo.

A análise integra estimativas de 108 países em desenvolvimento, abrangendo cerca de 6,3 mil milhões de pessoas, o equivalente à maioria da população mundial.

A nível global, aproximadamente 1,2 mil milhões de pessoas vivem em pobreza multidimensional aguda, correspondendo a 18,9% da população dos países abrangidos pelo estudo.

O número representa um aumento de 51,5 milhões de pessoas face à actualização anterior, constituindo a primeira subida global desde a criação do índice, em 2010.

O documento revela ainda que as crianças representam 51,5% das pessoas em situação de pobreza multidimensional, enquanto 83% dos afectados vivem em zonas rurais, onde as limitações no acesso a serviços básicos e a infra-estruturas essenciais agravam as condições de vulnerabilidade.

Educação, saúde e condições de vida

O Índice Global de Pobreza Multidimensional utiliza dez indicadores distribuídos por três dimensões: saúde, educação e padrão de vida.

Na área da saúde, são avaliadas a nutrição e a mortalidade infantil. Na educação, o estudo considera os anos de escolaridade dos membros do agregado familiar e a frequência escolar das crianças.

O padrão de vida inclui o acesso à electricidade, água potável e saneamento, o tipo de combustível utilizado para cozinhar, as condições de habitação e a posse de bens, como telefone, televisão, frigorífico, bicicleta ou motorizada, entre outros.

Uma pessoa é considerada multidimensionalmente pobre quando o seu agregado familiar apresenta privações em pelo menos um terço dos indicadores ponderados.

Quando as privações atingem metade ou mais da pontuação ponderada, a situação é classificada como pobreza multidimensional severa.

Ao contrário dos indicadores baseados apenas no rendimento, esta metodologia permite identificar situações em que as famílias podem não ser consideradas pobres segundo determinados critérios monetários, mas continuam sem acesso a serviços e recursos fundamentais.

Desafio para o desenvolvimento

O relatório de 2026 sublinha que a redução da pobreza multidimensional continua a ser um desafio, embora existam exemplos de países que conseguiram reduzir significativamente os níveis de privação num período inferior a 15 anos.

Entre os 89 países para os quais foi possível analisar tendências comparáveis, 33 conseguiram reduzir para metade o valor do seu índice de pobreza multidimensional em menos de 15 anos, incluindo seis países da África Subsariana.

Os resultados reforçam a importância de políticas públicas orientadas para a melhoria do acesso à educação, aos cuidados de saúde, à água potável, ao saneamento, à energia e a condições habitacionais adequadas.

Em Angola, onde quase metade da população é identificada pelo relatório como estando em situação de pobreza multidimensional, os dados evidenciam a dimensão dos desafios relacionados com a melhoria das condições de vida e a redução das desigualdades no acesso a serviços essenciais.

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