Por que razão após a revelação e o tratamento espiritual o problema persiste – Nguindo António
Por que razão após a revelação e o tratamento espiritual o problema persiste - Nguindo António
igreja

A maior parte das pessoas que recorre às igrejas pentecostais e neopentecostais procura a resolução de problemas que afligem a sua vida. Conhecendo bem os desafios sociais e culturais que afectam o quotidiano do povo, essas denominações apresentam-se como verdadeiras solucionadoras de conflitos e aflições.

No contexto africano, falam-se com frequência de desemprego, infertilidade, alcoolismo, riqueza, bruxaria, amarrações, marido e mulher da noite, entre outras situações comuns na nossa realidade. Esses problemas existem, sem dúvida.

A questão que se impõe é simples: por que razão, depois da revelação e do chamado tratamento espiritual, o problema continua?

Em primeiro lugar, uma parte significativa das pessoas diagnosticadas com esses males, com base nas revelações feitas por profetas, na verdade não sofre de tais problemas.

Muitas vezes, essas declarações servem para inquietar os fiéis, mantê-los dependentes da igreja e levá-los a submeter-se às orientações do líder religioso, incluindo contribuições financeiras, que acabam por ser o elemento central.

Em segundo lugar, há revelações que podem ser reais, mas provenientes de fontes obscuras. Alguns líderes religiosos recorrem à Nigéria, ao Benim, à República Democrática do Congo, à Índia, à China e até mesmo a Angola em busca de poderes ocultos para revelar, profetizar, atrair e prender fiéis, com o único objectivo de obter dinheiro.

No primeiro caso, o problema não desaparece porque o líder espiritual é um charlatão. Não possui qualquer dom de revelação, profecia ou cura. O fiel acredita que o seu problema espiritual está a ser tratado, quando, na realidade, está apenas a perder tempo, energia e dinheiro.

No segundo caso, o profeta, por via da feitiçaria, faz revelações sobre situações que efectivamente afectam a vida do fiel, mas não as resolve sem antes colaborar com quem está por trás desses ataques espirituais. Se o líder for fraco, nada conseguirá fazer, mas nunca o dirá ao fiel.

Por vezes, se a proposta do perseguidor lhe for vantajosa, mesmo que ambos tenham poderes compatíveis, continuará a enganar quem o procura. Se for mais forte e não tiver interesse em ajudar, limitar-se-á a explorar as energias do fiel.

Assim, há muitas pessoas que vão à igreja em busca de solução para os seus problemas espirituais e acabam por agravá-los, em função dos líderes que encontram.

Por isso, é prudente evitar essas igrejas, sobretudo quando os seus dirigentes são excessivamente famosos. Em vez de encontrar solução, o fiel pode estar, silenciosamente, a comprometer a própria vida.

*Pintor de Letras

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