
A gestão da Embaixada de Angola em França volta a ser alvo de críticas, com trabalhadores locais a apontarem o dedo à secretária da Secretaria-Geral, Cesaltina Silva, acusada de exercer uma influência considerada excessiva sobre a embaixadora Guilhermina Prata, sobretudo em matérias relacionadas com os funcionários da missão diplomática.
Segundo fontes do Imparcial Press, Cesaltina Silva – desprovida de beleza e amarga – terá assumido um papel particularmente activo na condução dos últimos processos disciplinares e de despedimento, chegando a ser apontada como uma espécie de “conselheira de confiança” da embaixadora para os assuntos laborais.
O problema, segundo os trabalhadores, é que essa influência estaria a ser exercida sem domínio suficiente da legislação laboral francesa, o que poderá estar a contribuir para decisões susceptíveis de gerar conflitos, contestações e responsabilidades jurídicas para a própria representação diplomática angolana.
“Ela aconselha a embaixadora em praticamente tudo o que diz respeito aos trabalhadores locais”, afirma uma das fontes, acrescentando que vários processos terão sido conduzidos com base em orientações atribuídas à responsável da Secretaria-Geral.
A situação ganha maior relevância porque, de acordo com as denúncias, Cesaltina Silva terá conduzido os principais processos de despedimento ocorridos este ano na Embaixada de Angola em França.
As críticas estendem-se ainda às qualificações académicas da responsável. Fontes internas afirmam que Cesaltina Silva se apresenta como formada em Economia Fiscal, mas dizem nunca ter visto um diploma que comprove essa formação.
As fontes do Imparcial Press levantam igualmente dúvidas sobre o percurso da responsável em França, alegando que chegou ao país em 2015 e que, inicialmente, não dispunha da documentação necessária para exercer actividade profissional.
Segundo essas fontes, a situação documental terá sido posteriormente regularizada com intervenção da própria Embaixada.
Mais do que uma questão pessoal, os trabalhadores consideram estar perante um problema de governação e gestão interna da missão diplomática.
A concentração de influência numa única responsável, sobretudo em processos disciplinares e de despedimento, poderá expor a Embaixada a conflitos laborais e a eventuais contestações judiciais.
A controvérsia surge num momento em que a representação diplomática angolana em Paris enfrenta outras críticas relacionadas com a gestão dos funcionários locais e com a actuação da própria embaixadora Guilhermina Prata.
Para os trabalhadores, o problema não está apenas nos conselhos dados por Cesaltina Silva, mas também na disposição da embaixadora em segui-los sem, alegadamente, assegurar uma verificação jurídica independente.
“A embaixadora acaba por cometer erros porque ouve tudo o que Cesaltina diz”, acusam as fontes.
O Imparcial Press procurou obter esclarecimentos da Embaixada de Angola em França e de Cesaltina Silva, incluindo sobre as suas habilitações e o papel desempenhado nos processos de despedimento, mas não obteve resposta.