
A fusão entre a Galp Energia e a espanhola Moeve, que entrega o controlo da refinaria de Sines a fundos de Abu Dhabi e dos Estados Unidos, esvazia um dos últimos instrumentos de influência de Angola na Europa, alerta o jurista Rui Verde em artigo publicado no portal Maka Angola, lido à lupa pela Margem do Erro.
No artigo “Fusão Galp-Moeve: Uma derrota estratégica para a Sonangol”, a que a Margem do Erro teve acesso, Rui Verde escreve que a operação entrega o controlo de Sines aos accionistas da Moeve e que a Sonangol, uma das maiores accionistas da Galp, continua calada.
Em negociação desde Janeiro, a operação prevê uma nova empresa de refinação que junta Sines às refinarias de Huelva e Algeciras da Moeve, controlada pela Mubadala e pela Carlyle. A Galp ficará com pouco mais de 20%, contra 80% da Moeve.
A Sonangol detém indirectamente 16,9% da Galp, via Esperaza Holding, e 19,49% do BCP. Segundo o semanário Expansão, citado por Rui Verde, essas participações, com a Angola LNG, garantiram 53% do lucro de 946 milhões de dólares da estatal em 2025.
O silêncio de Luanda contrasta com a posição de Lisboa, que com 8% da Galp já classificou Sines como activo de “evidente valor estratégico” e exige garantias de investimento.
A operação, a concretizar-se, é vista em meios políticos em Luanda como uma das maiores baixas patrimoniais da Administração do Presidente João Lourenço.