
O processo judicial que opõe a antiga directora do Centro de Produção do Uíge da Televisão Pública de Angola (TPA), jornalista Rita Solanje da Conceição Tomás Joaquim, a 13 profissionais da mesma estação, tem vindo a ganhar contornos preocupantes, com alegações de tentativa de influência indevida junto de altos magistrados do sistema judicial angolano.
Segundo apurou o Imparcial Press junto de fontes no Tribunal Supremo, em Luanda, a jornalista terá intensificado contactos com juízes, procuradores e advogados influentes com o objectivo de favorecer a sua posição no processo que corre os seus trâmites no Tribunal da Comarca do Uíge.
A acção judicial em causa teve origem em denúncias feitas por colegas de Rita Solanje ao Conselho de Administração da TPA e ao Sindicato dos Jornalistas (vide aqui: Uíge: Funcionários da TPA exigem a exoneração de Rita Solange), alegando práticas de má gestão, abuso de poder, desvio de fundos, uso indevido de bens da empresa, distribuição arbitrária de residências funcionais e outras formas de conduta alegadamente indecorosa durante o seu mandato à frente do centro provincial.
Sentindo-se caluniada e difamada, a jornalista apresentou queixa contra os 13 profissionais da estação, dando início a um processo que agora se encontra na fase de julgamento, com a próxima sessão agendada para amanhã, dia 19 de Maio.
Entretanto, o Imparcial Press teve acesso a informações segundo as quais Rita Solanje terá sido vista recentemente nas instalações do Tribunal Supremo, onde, aproveitando a cobertura de uma reportagem, teria mantido um encontro reservado com elementos do gabinete do presidente daquela instância judicial, Joel Leonardo.
Fontes indicam que nesse encontro, a jornalista teria solicitado apoio para que o juiz da causa no Uíge fosse orientado a decidir favoravelmente, condenando os acusados ao pagamento de indemnizações avultadas.
Em troca, especula-se, ela seria reintegrada como directora noutro centro da TPA, ao passo que os 13 visados enfrentariam processos disciplinares ou eventual expulsão.
Apesar de ainda não ter sido formalmente ouvida em juízo, Rita Solanje – descrita por fontes judiciais como uma figura experiente e estrategicamente meticulosa – tem procurado acelerar as fases do julgamento, segundo os relatos obtidos pelo nosso jornal.
Enquanto isso, os profissionais acusados continuam a apresentar provas materiais e testemunhais que sustentam as denúncias originais.
Na última sessão, a imprensa local foi impedida de cobrir o julgamento. Relatos indicam que os telemóveis dos presentes foram recolhidos após se ter descoberto que pessoas próximas à queixosa teriam gravado clandestinamente momentos do julgamento e partilhado os áudios em grupos privados no WhatsApp.
O clima de suspeição e alegado condicionamento do processo judicial levanta sérias preocupações quanto à transparência e isenção das instituições envolvidas.
A próxima audiência será determinante para se perceber até que ponto a Justiça angolana está imune a pressões externas e à interferência de figuras com influência política ou institucional.
O Imparcial Press continuará a acompanhar de perto o desenrolar deste caso e promete divulgar os nomes de todos os envolvidos nas supostas manobras, após a audiência do dia 19 de Maio.