Tribunal Militar condena 1º cabo das FAA por tráfico de liamba na Gabela
Tribunal Militar condena 1º cabo das FAA por tráfico de liamba na Gabela
rambo

O Tribunal Militar do Cuanza-Sul condenou, esta quarta-feira, na cidade do Sumbe, o primeiro-cabo das Forças Armadas Angolanas (FAA), Alberto Patrício Kiteque, conhecido por Rambo, a um ano e nove meses de prisão efectiva, por tráfico de estupefacientes (liamba) e envolvimento em actividades ilícitas.

Segundo a juíza presidente da causa, Nayhuca Carla da Fonseca, o militar utilizava farda das FAA como disfarce para evitar abordagens policiais, enquanto comercializava liamba a jovens do município da Gabela.

“O arguido fazia-se valer da sua posição militar para transitar livremente e manter o negócio ilegal”, sublinhou a magistrada durante a leitura da sentença.

De acordo com o processo, o réu – reincidente na mesma prática – tinha em sua posse 53 quilogramas de estupefaciente, encontrados em sua residência no momento da detenção.

A magistrada alertou para a gravidade do envolvimento de militares em crimes de tráfico, considerando que tal comportamento “enfraquece a imagem das Forças Armadas e compromete o exemplo de disciplina e ética que delas se espera”.

Alberto Patrício Kiteque, de 45 anos, integra as FAA há duas décadas, e segundo o tribunal, agia de forma “deliberada e consciente”, motivado pelo lucro fácil e pela impunidade presumida que a farda lhe conferia.

Nos últimos anos, autoridades policiais e judiciais têm alertado para o aumento do consumo e tráfico de liamba (cannabis) em várias províncias do país, fenómeno que especialistas associam ao crescimento da criminalidade juvenil, sobretudo em áreas urbanas e periurbanas.

Estudos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) indicam que mais de 40% dos crimes violentos cometidos por jovens em Angola envolvem o uso prévio de drogas leves, entre as quais a liamba, frequentemente misturada com álcool artesanal.

A substância, de cultivo e distribuição clandestina, é apontada como fator desestabilizador da ordem pública, facilitando o recrutamento de jovens para atividades criminosas, desde furtos a assaltos e homicídios.

A sentença do Tribunal Militar surge num contexto em que o Estado reforça o combate interno ao tráfico e consumo de drogas, inclusive dentro das estruturas de defesa e segurança.

A juíza Nayhuca da Fonseca sublinhou, no final da audiência, que “o uso da farda para encobrir crimes é uma afronta à pátria e aos valores das Forças Armadas”, apelando a todos os militares para que “preservem o prestígio institucional com conduta exemplar”.

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