
Um clima de forte indignação instalou-se na Província de Benguela, na sequência das condecorações realizadas no âmbito das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional.
Antigos membros do Governo Provincial, funcionários reformados e personalidades da sociedade civil dizem-se injustiçados por terem sido ignorados nas listas dos homenageados, e apontam o dedo à vice-governadora para o sector Político, Económico e Social, Cátia Francisca Gertrudes Tchimbinga Cachuco, acusada de promover “um processo excludente e sem critério histórico”.
Segundo fontes internas do Governo Provincial, a vice-governadora teria liderado pessoalmente a comissão responsável pela escolha dos condecorados, “sem ouvir quem conhece verdadeiramente a história de Benguela”.
“Seria bom que o senhor governador olhasse bem para a sua vice-governadora. Ela não conhece as pessoas que construíram esta província, nem tem a humildade de ouvir quem sabe. Ignorou antigos combatentes, funcionários históricos, padres, pastores e até empresários que sacrificaram tudo por Benguela”, lamentou uma fonte governamental.
Os críticos afirmam que várias figuras que contribuíram para a libertação, pacificação e reconstrução da província foram simplesmente esquecidas. Entre elas, antigos militares, funcionários do tempo colonial e líderes religiosos que desempenharam papéis decisivos em momentos críticos da história local.
“Dói ver pessoas que nada fizeram por esta terra serem condecoradas, enquanto aqueles que arriscaram a vida, que tiveram camiões queimados em missões logísticas, são ignorados”, acrescentou a mesma fonte, visivelmente revoltada.
Outros acusam os actuais administradores municipais de falta de humildade, alegando que muitos incluíram os seus próprios nomes nas listas de condecorados, sem reconhecer os seus predecessores.
“Celebrar 50 anos de independência é momento de união, de reconciliação, de reconhecer todos os que contribuíram. Mas o que vimos foi o oposto: um processo viciado, dominado por vaidades e favoritismos”, afirmou um antigo funcionário do Governo Provincial.
As críticas recaem directamente sobre Cátia Cachuco, tida como a principal responsável pela condução do processo, que, segundo várias fontes, “não possui ligação histórica com a província” e “não demonstrou sensibilidade política e social” na condução das cerimónias.
Há quem defenda a substituição imediata da vice-governadora, propondo, inclusive, nomes como o da segunda secretária do MPLA, Rosalina Cassissa, considerada uma figura “com maior conhecimento da realidade local e ligação às comunidades”.
Entre as vozes mais críticas, o sentimento é de que as comemorações deveriam servir para reunir gerações e preservar a memória dos que construíram Benguela, não para dividir a sociedade.
“Celebrar meio século de independência sem honrar quem deu o seu litro pela liberdade é apagar a nossa própria história. A juventude precisa saber o que custou esta paz e esta liberdade”, concluiu um dos interlocutores.
Por: Bernadete Pina Santos