
Quando, ainda a propósito das medalhas a Holden e Savimbi, ouço comentaristas numa rádio, salientado, a plenos pulmões, que se fossem os da UNITA ou da FNLA não fariam o mesmo.
Quando debaixo de um texto, que afinal nem era meu, boas mentes se precipitaram a lembrar que aquilo era de um “comunista” que supostamente eu ainda “não deixei ser”.
Quando penso em tantos que acham que isso nunca mais irá para frente, a não ser que seus heróis do passado ressurgissem para salvar a Angola de hoje.
Recordo-me das palavras do pensador brasileiro, se bem o registei, Marcelo Carlos Rodrigues que disse: “O passado deve ser uma lição e nunca uma prisão.”
É como me dizia o comandante Pedro Pires, antigo Presidente da República de Cabo Verde, a propósito das “punições” selectivas aos filhos do Presidente José Eduardo dos Santos – tenho de dizê-lo hoje, nesta página, a volta da celebração dos 50 anos da nossa atribulada independência:
“Marcolino, veja se diz ao camarada João Lourenço, a quem tentei dizer e não consegui, que olhe para a luz dos faróis e não para os retrovisores”. Bom, eu também tentei transmiti-lo e não fui ouvido.
A verdadeira reconciliação nacional, motor decisivo para atravessarmos a crise multidisciplinar que vivemos, só poderá ser alcançada quando entendermos isso um dia.
Caberá, em primeira instância aos políticos, especialmente os detentores do poder (“donos” do executivo, do parlamento, dos tribunais, dos mais poderosos meios de comunicação, das forças armadas, polícias e … que mais?) dar o primeiro passo, se não quisermos que isso se resolva com a superveniência de novos vingadores de passados.
E que seja permitida e estimulada a intervenção autónoma e avisada de sectores relevantes da sociedade civil, especialmente, a das sábias e respeitadas igrejas cristãs de Angola e suas reconhecidas personalidades.
Resumindo, nas presentes circunstâncias, bem sustentadas, para o bem e para o mal, na Constituição de 2010, está toda a bola com o Presidente da República, João Lourenço.
Pois, até como bem se viu, os seus sérios e fingidos seguidores, estarão sempre disponíveis para aplaudir: para o bem ou para o mal; que se escolha o melhor. Para que Angola seja diferente, nos próximos 50 anos.
*Antigo secretário-geral do MPLA