
O programa Takeoff with TAAG, apresentado como uma aposta na modernização e na valorização da juventude, está a ser alvo de críticas internas por alegado desvirtuamento dos seus objectivos iniciais.
Fontes do Imparcial Press ligadas à área de Capital Humano apontam a administradora executiva para o pelouro Jurídico e de Capital Humano, Neide do Rosário Pinto Teixeira, como figura central numa gestão considerada pouco transparente do processo.
Segundo essas fontes, os critérios de selecção terão sido flexibilizados, permitindo a entrada de candidatos com ligações à Administração e a diferentes direcções da companhia, em aparente contradição com os princípios previamente estabelecidos.
O próprio questionário interno distribuído aos colaboradores indicava que o programa não implicava compromisso de contratação, precisamente para evitar favorecimentos.
No entanto, vários estagiários acabaram por ser integrados como efectivos após o período de seis meses, sem explicações públicas claras sobre os critérios adoptados ou eventuais mudanças na política de rotatividade.
Entre os casos referenciados por funcionários constam nomes como Renato Ariel dos Santos Monteiro, Miladys Otniel Pinheiro Sebastião e Eugénio do Rosário Lopes Félix, que, apesar de terem ingressado através de instituições parceiras, foram posteriormente integrados no quadro efectivo.
Outros relatos indicam ainda a inclusão de participantes que não cumpriam os requisitos definidos ou que não estavam abrangidos pelos protocolos com instituições de ensino, reforçando a percepção de falta de rigor no processo.
A discrepância entre o discurso e a prática terá ficado evidente em reuniões internas, nomeadamente no Conselho de Direcção de 2025, realizado no Hotel de Convenções de Talatona, onde foi reiterado o carácter rotativo do programa. Ainda assim, decisões posteriores parecem contrariar essa orientação.
Um dos casos mais citados é o de José Luís Cruz Rocha, admitido como estagiário na Direcção de Operações de Voo aos 47 anos, ultrapassando os limites etários associados ao programa. A decisão terá contado com o aval da direcção das operações.
No seio da empresa, cresce o sentimento de frustração. “O programa foi criado para jovens talentos, mas está a ser utilizado como porta de entrada para interesses particulares”, refere uma fonte, apontando para alegadas práticas de favorecimento.
O Takeoff with TAAG, inicialmente concebido como uma plataforma de lançamento para novas gerações, enfrenta agora questionamentos internos quanto à sua credibilidade, num contexto em que a transparência e a meritocracia continuam a ser exigências centrais na gestão de empresas públicas.