Carlos Alberto dos Santos: este artista deve abusar de drogas – Artur Queiroz
Carlos Alberto dos Santos: este artista deve abusar de drogas - Artur Queiroz
Carlos Alberto dos Santos

Carlos Alberto dos Santos, ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, fez uma declaração sobre a manutenção da rede nacional de estradas e fiquei cheio de dúvidas. Estamos perante uma falsa notícia criada pela inteligência artificial dos oligarcas de Trump, que oscilam entre o fascismo e o nazismo. Mas aquilo pareceu-me real. Autêntico. Pensei com os meus botões: O homem abusou da kapuka!

O seu discurso era perfeito, não mastigava as palavras, não arrastava a voz. Bêbado não estava. Telefonei para a TPA e perguntei se tinham mesmo emitido uma peça com as declarações do auxiliar de João Lourenço. Confirmado.

Aí fiquei com a pulga atrás da orelha. Quem pôs este cágado em cima da árvore se os cágados rastejam no chão?

Quem fez deste cágado uma águia que só desce à terra para comer do Orçamento Geral do Estado?

Aí pensei que o senhor só pode ser um acomodado. Não, não pode. Obras públicas, urbanismo e habitação é coisa de técnicos altamente qualificados.

Este artista deve abusar das drogas. Impossível. Um ministro não se droga. Quando muito anda nas bordas da prostituição. Seja o que for vou directo ao assunto.

O ministro Carlos Alberto dos Santos, com um sorriso de orelha a orelha, anunciou: Este ano é que vai ser. As estradas vão ter manutenção. O homem anunciou a cobrança de portagens. Vamos ter pórticos nas estradas entre Mucusso e Xamavera, Cunjamba e Luenge, Cueio e Missombo.

Nem mais um buraco. Adeus lamaçais. Areia nunca mais. Pontes reforçadas. O Orçamento Geral do Estado tem dinheiro para a manutenção das vias.

Saco vazio não fica em pé, pau podre não mata cobra e conversa não enche barriga. Vamos em frente. Os chefes de posto tinham brigadas de manutenção das picadas, recrutadas pelos sipaios à força ou negociadas com os sobas.

No tempo da chuva, mulheres e crianças carregavam quindas de terra e pedras à cabeça, para taparem os buracos e as ravinas no início.

No Cacimbo eram reparadas as picadas mais escalavradas pelos aguaceiros tropicais que faziam das picadas rios caudalosos. A verdade é que o trânsito corria devido a essa manutenção realizada à custa do trabalho escravo.

Lisboa criou em Angola a Junta Autónoma das Estradas. E logo foi apresentada a rede fundamental das vias em Angola. No 25 de Abril de 1974 já existia uma rede de estradas asfaltadas com milhares de quilómetros. A manutenção era garantida diariamente.

Ao longo da via entre Luanda e o Huambo (Nova Lisboa) foram construídas “casa dos cantoneiros”, para funcionários da Junta Autónoma das Estradas, que diariamente desentupiam as valetas de escoamento das águas pluviais e detectavam os buracos. Na hora era tudo reparado.

A Junta Autónoma das Estradas tinha uma delegação em cada distrito, hoje províncias, dirigida por um engenheiro. E todas as delegações tinham uma equipa técnica completa. Todas tinham máquinas para manutenção e reparação de estradas. Porquê?

A resposta foi-me dada pelo director de estradas de Luanda, quando fiz uma reportagem sobre a estrada em construção, com solosm selecionados e tapete asfáltico, entre Banza Quitel e a Quiminha. Deixo a informação que então me foi dada, ao senhor ministro das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo.

Uma estrada em meio tropical precisa de valetas e passagens hídricas desobstruídas para evitar inundações. A água não pode infiltrar-se no tapete asfáltico.

O sol desenvolve altas temperaturas e o asfalto amolece. Passam viaturas permanentemente e ficam abertas grandes crateras. A mobilidade é afectada.

Uma estrada da rede fundamental tem trânsito 24 horas sobre 24. A manutenção tem igualmente que ser permanente. Um mês sem manutenção na estação da Chuva e vários troços da via ficam intransitáveis.

Senhor ministro, esqueça as portagens. Ponha o Instituto Nacional de Estradas a fazer o trabalho da antiga Juna Autónoma de Estradas. Para isso a instituição necessita de um orçamento próprio e equipas técnicas completas.

Fica mais barato importar técnicos do que fazer uma estrada nova de dois em dois anos. Governem e deixem-se de truques.

Desastre ecológico em Cabinda

Um responsável da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) anunciou que os derrames de “crude” em Angola vão ser monitorizados por satélite. E já agora, com a inteligência artificial que nos vai ser enviada pelo oligarcas de Trump.

Em Cabinda houve um desastre ecológico terrível que poluiu a costa e prejudicou os pescadores. Pesca parada, fome na mesa. A mania das grandezas vai acabar conosco.

Em vez de abrirmos postos e centros de saúde para garantir cuidados primários às comunidades, avançamos para a cirurgia robótica. Depois morrem crianças porque não têm um comprimido e a cólera ameaça os bairros sem saneamento básico.

Agora este senhor vem com o truque da vigilância dos “derrames” por satélite. Olhinhos, camarada! Inspecções permanentes às instalações petrolíferas. Engenheiros do Ambiente e equipas técnicas nas empresas com capacidade para garantirem que não há agressões ao Ambiente.

Conversa não enche barriga, cirurgia robótica não trata o paludismo e a cólera, satélites não detectam a lavra ambiciosa nem a negligência criminosa das petrolíferas.

*Jornalista

Nota: O título é da inteira responsabilidade deste jornal. O título original da peça é: Angola: Estradas esburacadas e satélites

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