
A Empresa Pública de Água e Saneamento (EPAS) da província do Moxico acumula uma dívida de 106 milhões de kwanzas com os trabalhadores, referente a salários e subsídios em atraso, confirmou esta terça-feira o presidente do Conselho de Administração (PCA) da instituição, Eurico Jorge.
Segundo o responsável, a dívida inclui subsídios de Natal e de férias relativos aos anos de 2023 e 2024, além de quatro meses de salários referentes a 2025 e o vencimento do mês de Abril do corrente ano.
Em declarações à imprensa, Eurico Jorge atribuiu as dificuldades financeiras da empresa à baixa taxa de cobrança junto dos consumidores, sublinhando que a EPAS depende exclusivamente das receitas arrecadadas para assegurar o funcionamento dos serviços e o pagamento dos trabalhadores.
“O pagamento dos salários é feito em função dos valores arrecadados”, afirmou o gestor, acrescentando que os atrasos “não acontecem de forma contínua”, contrariando informações divulgadas nas redes sociais.
Sem avançar uma data concreta para a regularização da dívida, o PCA garantiu que a empresa continua a assegurar o abastecimento de água à população, apesar dos constrangimentos financeiros e dos elevados custos operacionais.
De acordo com Eurico Jorge, a empresa tem reforçado as campanhas de sensibilização para incentivar os consumidores a regularizarem o pagamento do consumo de água, cujo custo médio ronda os 1.500 kwanzas mensais.
Actualmente, a EPAS controla cerca de 12 mil clientes, embora o sistema esteja dimensionado para um universo estimado em 24 mil consumidores.
A taxa de cobertura do serviço de abastecimento na cidade do Luena e zonas periféricas situa-se nos 62%, beneficiando aproximadamente 82 mil habitantes.
A empresa possui capacidade instalada para produzir até oito milhões de litros de água por dia através dos sistemas de captação dos rios Luena e Lumege. Contudo, devido aos efeitos da época chuvosa, apenas o sistema do Lumege se encontra actualmente em pleno funcionamento.