Marcolino Moco critica clima interno no MPLA e alerta para riscos à estabilidade do país
Marcolino Moco critica clima interno no MPLA e alerta para riscos à estabilidade do país
Marc Moco

O antigo secretário-geral do MPLA e ex-primeiro-ministro angolano Marcolino Moco criticou o actual ambiente político no seio do partido no poder, acusando sectores da organização de contribuírem para uma “escandaleira” que, segundo afirmou, compromete a estabilidade política, económica e social de Angola.

Numa reflexão divulgada nas redes sociais, Moco manifestou preocupação com o clima de tensão interna que antecede o IX Congresso Ordinário do MPLA, previsto para Dezembro, numa altura em que decorre a disputa pela sucessão de João Lourenço na liderança do partido.

“Escandaleira que destrói o próprio MPLA (…) mas, especialmente, adia a estabilidade política, económica e social do país que todos nós desejamos”, escreveu o político, numa crítica à crescente “partidarização” e “pessoalização” do Estado angolano.

As declarações surgem dias depois de o Bureau Político do Comité Central do MPLA ter manifestado apoio à recandidatura de João Lourenço à presidência do partido, numa decisão que alimentou o debate interno sobre a sucessão na organização que governa Angola desde a independência, em 1975.

Em paralelo, ganhou novo relevo o processo judicial envolvendo o general na reforma Francisco Higino Lopes Carneiro, apontado como potencial candidato à liderança do MPLA, que voltou esta semana a ser ouvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito do processo n.º 48/20, relacionado com alegadas irregularidades na aquisição de viaturas e contratos públicos durante o período em que governou Luanda.

Sem mencionar directamente nomes, Marcolino Moco criticou aquilo que considerou ser uma instrumentalização da justiça em contexto político interno, referindo-se ao que chamou de “rejudicialização” de um candidato.

“Vemos outro candidato, HC [Higino Carneiro], a ser despudoradamente ‘rejudicializado’, sob o olhar silencioso de todos”, afirmou.

Higino Carneiro declarou esta semana existir uma “mão invisível” por detrás da reactivação do processo judicial, considerando que o caso visa prejudicar a sua eventual candidatura à liderança do MPLA.

Marcolino Moco considerou ainda que o actual clima interno revela sinais de degradação política e institucional, acusando sectores ligados ao poder de alimentarem divisões no seio da sociedade angolana. “Assim não construiremos país que nos sirva a todos. Nem só do poder se vive”, escreveu.

O antigo dirigente do MPLA voltou igualmente a defender uma “verdadeira reconciliação nacional”, sustentando que esse processo deveria começar dentro do próprio partido governante. “Como seria fácil se ela se iniciasse dentro do MPLA?”, questionou.

Nos últimos meses, as tensões internas no MPLA intensificaram-se com o aproximar do congresso ordinário, considerado por analistas como um dos mais sensíveis da história recente do partido.

Além da disputa pela sucessão, o processo tem sido marcado por denúncias de alegados entraves à regularização de quotas partidárias, dificuldades na recolha de assinaturas para apoio a pré-candidaturas e acusações de instrumentalização de instituições judiciais.

Recentemente, Higino Carneiro denunciou alegados bloqueios à emissão de recibos de quotas partidárias por estruturas locais do MPLA, afirmando que militantes estariam a ser impedidos de formalizar apoio à sua candidatura.

Marcolino Moco, uma das figuras históricas mais críticas da actual direcção do MPLA, tem defendido nos últimos anos reformas políticas e institucionais mais profundas, incluindo uma maior separação entre o Estado e o partido no poder.

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