SIC detém 17 pessoas por divulgação de falsos casos de desaparecimento de órgãos genitais
SIC detém 17 pessoas por divulgação de falsos casos de desaparecimento de órgãos genitais
Detido SIC

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou esta sexta-feira a detenção de 17 pessoas acusadas de disseminar informações falsas sobre alegados casos de desaparecimento de órgãos genitais em várias províncias angolanas, situação que já provocou actos de violência e a morte de um cidadão na Lunda-Norte.

Em comunicado ao Imparcial Press, o SIC esclarece que os vídeos, áudios e outros conteúdos divulgados nas redes sociais, envolvendo supostos cidadãos angolanos e da República Democrática do Congo (RDC) em práticas de extração de órgãos genitais, “são falsos” e não possuem qualquer fundamento técnico ou científico.

Segundo a instituição, as alegadas vítimas foram submetidas a exames médicos realizados por equipas da Direcção de Medicina Legal do SIC nas províncias do Moxico, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Huambo e Luanda, não tendo sido detectadas quaisquer anomalias físicas.

“O SIC reafirma categoricamente que são falsos os vídeos e demais conteúdos postos a circular nas diversas plataformas digitais”, refere a nota assinada pelo superintendente-chefe Manuel Halaiwa.

As autoridades alertam que a propagação dos rumores contribuiu para actos de violência contra cidadãos acusados informalmente de envolvimento nos supostos crimes.

“Essa falsa notícia tem vindo a contribuir em actos violentos de elevada gravidade contra pacatos cidadãos”, sublinha o SIC, apontando casos de agressões físicas, tentativas de linchamento e a morte de um cidadão na província da Lunda-Norte.

O órgão de investigação criminal advertiu ainda que os cidadãos que continuarem a divulgar conteúdos desta natureza poderão igualmente ser responsabilizados criminalmente.

“O SIC desaconselha a disseminação fortuita de conteúdos desta natureza, apelando a uma postura responsável para prevenir a violência gratuita e a insegurança no seio das populações”, acrescenta o comunicado.

Nas últimas semanas, mensagens e vídeos sobre supostos desaparecimentos de órgãos genitais tornaram-se virais em plataformas como WhatsApp, Facebook e TikTok, alimentando o medo em diferentes comunidades do país.

Ainda esta semana, a Polícia Nacional em Luanda já havia desmentido denúncias semelhantes registadas no município do Kilamba Kiaxi, indicando que as supostas vítimas estavam em perfeitas condições de saúde.

As autoridades angolanas têm associado a circulação destes conteúdos a fenómenos recorrentes de desinformação e boatos que, em momentos anteriores, também provocaram pânico social e episódios de justiça popular.

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