Nepotismo no Tribunal de Contas
Nepotismo no Tribunal de Contas
juiz gunza

O Tribunal de Contas está no centro de novas acusações de nepotismo e favorecimento familiar, depois de ter vindo a público uma lista de funcionários admitidos no quadro definitivo da instituição, documento que inclui familiares directos de juízes conselheiros, chefes de gabinete e figuras ligadas ao aparelho do Estado angolano.

A polémica surgiu após a circulação de um despacho assinado a 30 de Março de 2026 por Adriano Gonga, director do Gabinete de Recursos Humanos do Tribunal de Contas, em posse do Imparcial Press, autorizando a integração de vários funcionários nos quadros permanentes do órgão responsável pela fiscalização das contas públicas.

Fontes do Imparcial Press ironizam que este tribunal se transformou numa “fazenda do pai Gunza”, numa referência ao juiz-presidente da instituição, Sebastião Domingos Gunza, devido à presença crescente de familiares e pessoas próximas nos serviços administrativos e técnicos do órgão.

Entre os nomes apontados constam Domingos Jesperson Lopes Simosa Gunza e Nelson Pedro Gunza Penza, identificados como familiares directos do presidente do Tribunal de Contas.

Há igualmente informações sobre a existência de outras funcionárias que manteriam relações de proximidade com membros da direcção da instituição, incluindo juízes conselheiros e responsáveis de gabinete.

Outro caso apontado envolve a juíza vice-presidente Domingas Alexandra Garcia, acusada de ter facilitado a entrada da familiar Dinara Suelma Machado Garcia, e mais duas outras pessoas, nos quadros da instituição.

Conforme informações avançadas por fontes próximas do processo, a lista inclui igualmente filhos, sobrinhos, amantes e pessoas ligadas a ministros, deputados do MPLA, dirigentes da Organização da Mulher Angolana (OMA), da JMPLA, juízes conselheiros do Tribunal Supremo, directores nacionais e funcionários afectos à Presidência da República.

As denúncias reacendem o debate sobre o uso das instituições públicas para acomodação de familiares, namoradas e redes de influência política, numa altura em que o discurso oficial continua centrado no combate à corrupção, moralização da administração pública e promoção da meritocracia.

O Tribunal de Contas, instituição encarregue de fiscalizar a legalidade das despesas públicas e garantir a boa gestão do erário, tem sido frequentemente apontado por sectores da sociedade civil como um dos órgãos menos transparentes da administração do Estado.

Juristas ouvidos pelo Imparcial Press alertam que práticas de nepotismo e favorecimento familiar fragilizam a credibilidade das instituições judiciais e comprometem os princípios de imparcialidade e igualdade no acesso ao emprego público.

Entretanto, fontes ligadas à investigação afirmam que novas revelações envolvendo outros juízes conselheiros e funcionários superiores deverão ser divulgadas nos próximos dias, incluindo alegadas ligações familiares detectadas através de cruzamento de dados genealógicos e administrativos.

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