
O general na reforma Francisco Higino Lopes Carneiro formaliza amanhã, quinta-feira, 25, a sua candidatura à presidência do MPLA, apresentando quase 17 mil assinaturas de militantes provenientes das 21 províncias do país, num movimento que quebra a ideia de consenso em torno da recandidatura de João Lourenço à liderança do partido no poder.
Segundo informações apuradas pelo Imparcial Press, o processo será entregue às 10h00, na sede nacional do MPLA, em Luanda, pelo mandatário da candidatura, Matos Mota “Kito”, junto da Subcomissão de Candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário do partido, coordenada por Job Capapinha.
Além das subscrições, a candidatura inclui a denominada “Moção de Estratégia”, documento que apresenta as linhas orientadoras da visão política de Higino Carneiro para o futuro do MPLA.
A formalização da candidatura acontece cerca de três semanas depois de a Subcomissão de Candidaturas ter anunciado a validação da candidatura de João Lourenço, até então o único concorrente oficialmente aceite para a corrida à presidência do partido.
Na ocasião, Job Capapinha informou que o actual líder do MPLA entregou 11.118 assinaturas, número superior às 5.000 exigidas pelos regulamentos internos, tendo a candidatura sido validada com 98,1% de conformidade após o processo de verificação.
Com a entrada de Higino Carneiro na disputa, o partido poderá assistir à primeira competição interna de relevo dos últimos anos para a liderança da organização política que governa Angola desde a independência, em 1975.
Figura histórica do MPLA, Francisco Higino Lopes Carneiro desempenhou diversos cargos de elevada responsabilidade no aparelho do Estado, incluindo os de governador provincial de Luanda e Cuando Cubango, ministro das Obras Públicas e deputado à Assembleia Nacional.
Nos últimos meses, o antigo dirigente tem vindo a mobilizar apoios junto de estruturas de base e militantes do partido, defendendo a necessidade de renovação interna, maior participação dos militantes e reforço da coesão partidária.
A formalização da candidatura ocorre igualmente num momento politicamente sensível para o general, depois de a Procuradoria-Geral da República ter anunciado esta semana a dedução de acusação contra o antigo governador do Cuando Cubango pelos crimes de peculato e branqueamento de capitais, num processo relacionado com alegada utilização indevida de fundos públicos destinados ao desenvolvimento da província.
Em reacção, Higino Carneiro contestou a legalidade da acusação, alegando que o processo ainda se encontra na fase de instrução preparatória e acusando o Ministério Público de violar procedimentos processuais.
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para Dezembro deste ano e deverá definir a liderança do partido para os próximos anos, num contexto em que João Lourenço já manifestou publicamente a intenção de concorrer a um terceiro mandato à frente da formação política.
Caso a candidatura de Higino Carneiro seja validada, os delegados ao congresso serão chamados a escolher entre duas das figuras mais influentes da história recente do MPLA, numa disputa que promete marcar o futuro político do partido e do país.