FAF admite incumprimento salarial e diz que vai cumprir decisão da FIFA favorável a Pedro Gonçalves
FAF admite incumprimento salarial e diz que vai cumprir decisão da FIFA favorável a Pedro Gonçalves
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O presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Alves Simões, reconheceu este sábado que houve incumprimento no pagamento dos salários devidos ao antigo seleccionador nacional, Pedro Gonçalves, e garantiu que a instituição irá cumprir a decisão da FIFA, que deu razão ao treinador português no diferendo laboral.

Em declarações à imprensa, Alves Simões admitiu que a desvinculação contratual do técnico, afastado do cargo em Setembro de 2025, não foi concluída nos termos inicialmente previstos.

“O entendimento que tínhamos era de que o pagamento seria efectuado até Dezembro do ano passado. Contudo, face ao deferimento da FIFA, teremos de cumprir aquilo que foi determinado, até ao fim do Mundial”, afirmou o dirigente.

Embora não tenha revelado o montante em causa, Alves Simões confirmou que a decisão do organismo que rege o futebol mundial obriga a FAF a regularizar os valores em dívida decorrentes da cessação antecipada do contrato do treinador.

Pedro Gonçalves foi contratado em Agosto de 2019 pela anterior direcção da Federação Angolana de Futebol, então presidida por Artur Almeida e Silva, para liderar a reconstrução da selecção nacional.

A sua saída foi decidida em Setembro de 2025 pela nova direcção da FAF, liderada por Alves Simões, após uma série de resultados considerados insuficientes, nomeadamente nas eliminatórias de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2026 e no Campeonato Africano das Nações para Jogadores Locais (CHAN).

Na sequência da rescisão, Pedro Gonçalves recorreu à FIFA, alegando incumprimento das obrigações contratuais por parte da federação angolana. O organismo internacional deu provimento à reclamação, reconhecendo o direito do treinador à compensação prevista no contrato.

Os litígios laborais entre treinadores e federações nacionais são apreciados pelos órgãos jurisdicionais da FIFA, que podem determinar o pagamento de indemnizações e salários em atraso.

O incumprimento dessas decisões pode conduzir à aplicação de sanções desportivas e financeiras às federações, incluindo restrições na inscrição de jogadores ou outras medidas disciplinares.

Apesar da saída marcada pela disputa judicial, Pedro Gonçalves protagonizou um dos períodos mais longos à frente dos Palancas Negras desde a profissionalização da equipa técnica.

Durante seis anos e um mês, orientou Angola em 76 partidas, somando 35 vitórias, e conduziu a selecção aos quartos-de-final do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2023, disputado na Côte d’Ivoire, o melhor resultado angolano na competição desde 2010.

Sob o seu comando, Angola conquistou ainda duas Taças COSAFA, assegurou o histórico apuramento da selecção de sub-17 para o Campeonato do Mundo da categoria, disputado no Brasil, onde atingiu os oitavos-de-final, e protagonizou, em 2024, a maior subida no ranking da FIFA entre todas as selecções nacionais.

Com a decisão da FIFA favorável ao treinador, a FAF fica agora obrigada a cumprir as obrigações financeiras decorrentes da cessação do contrato, encerrando um processo que se arrastava desde a sua demissão, em Setembro do ano passado.

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