
Um antigo funcionário da Embaixada de Angola em França contesta o seu despedimento, classificando-o de injusto e ilegal, e acusa a direcção da missão diplomática, liderada pela embaixadora Guilhermina Prata, de promover um ambiente de perseguição e desrespeito pelos direitos laborais.
Segundo informações chegadas ao Imparcial Press, o trabalhador, identificado por Eduany Araújo, exerceu anteriormente funções durante cinco anos no Consulado-Geral de Angola em França, onde, recebeu uma carta de recomendação pelo desempenho profissional quando cessou funções devido a atrasos salariais.
De acordo com as mesmas fontes, o funcionário terá regressado ao serviço do Estado angolano em 2023, na sequência de um convite da própria embaixadora Guilhermina Prata, abandonando um emprego numa empresa francesa para integrar os quadros da Embaixada de Angola em França.
Fontes do Imparcial Press afirmam que, ao longo do período em que desempenhou funções na missão diplomática, Eduany Araújo revelou disponibilidade permanente para responder às necessidades da instituição, chegando, em algumas ocasiões, a utilizar a sua viatura pessoal para apoiar atividades da embaixada.
As fontes sustentam ainda que, apesar de exercer funções na área da segurança, era frequentemente incumbido de realizar tarefas alheias às suas responsabilidades, alegando que nunca recusou colaborar.
Conforme os relatos, o processo disciplinar que culminou no despedimento terá sido motivado por um conjunto de situações consideradas desproporcionais, entre as quais a alegada indisponibilidade do trabalhador para atender de imediato a um pedido da embaixadora, por se encontrar a desempenhar outras tarefas.
Outro dos episódios referidos prende-se com um desentendimento entre o funcionário e uma colega de trabalho, bem como, no exercício das suas funções, Eduany Araújo terá solicitado a identificação de um visitante que se apresentou como embaixador de Angola, procedimento que os seus apoiantes consideram compatível com as normas de controlo de acesso às instalações.
Os denunciantes afirmam igualmente que o trabalhador foi informado do despedimento apenas no termo do período de suspensão disciplinar e que não recebeu o salário correspondente ao período em causa.
As acusações estendem-se à gestão da embaixadora Guilhermina Prata, descrita pelos denunciantes como autoritária e responsável por um ambiente de trabalho marcado por alegadas humilhações, conflitos internos e perseguições a funcionários.
Segundo as mesmas fontes, existem ainda processos judiciais relacionados com a gestão da responsável diplomática, embora não tenham sido avançados detalhes sobre o estado desses processos.
Este é o segundo caso de despedimento contestado na Embaixada de Angola em França em menos de um mês. O primeiro envolve Sandra Lousada, antiga motorista da missão diplomática, que contestou o despedimento decidido pela embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola em França, Guilhermina Contreiras da Costa Prata.
A ex-funcionária sustenta que foi afastada de forma ilegal, sem instauração de processo disciplinar e com base numa gravação de uma conversa privada obtida sem o seu consentimento.
Em declarações ao Imparcial Press, Sandra Lousada, que trabalhou durante mais de 18 anos na representação diplomática angolana em Paris, afirmou que o despedimento teve origem numa conversa informal mantida com um colega motorista, durante a qual manifestou descontentamento com a gestão da embaixada.
Segundo o seu relato, a conversa foi gravada sem o seu conhecimento, e posteriormente entregue à embaixadora, e no dia seguinte foi convocada ao gabinete da embaixadora, onde lhe foi comunicada verbalmente a suspensão de funções e dada a indicação para permanecer em casa.