
O estado de saúde do Presidente da República, João Lourenço, suscitou preocupação entre dirigentes e apoiantes do MPLA durante o período em que esteve internado no Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no Brasil, levando alguns sectores do partido a discutir, de forma informal, eventuais cenários de sucessão. O Presidente regressou na semana passada a Luanda.
Segundo fontes do Imparcial Press, dirigentes próximos do Chefe de Estado mantiveram contactos para discutir eventuais cenários de sucessão na liderança do MPLA, perante a possibilidade de João Lourenço vir a ficar impossibilitado de exercer funções por razões de saúde.
As mesmas fontes indicam que, antes do regresso do Presidente a Angola, o jurista Carlos Maria Feijó e o director do Gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar da Costa, reuniram-se na residência do general José Tavares para analisar a evolução da situação.
Posteriormente, acrescentam, Carlos Feijó, Edeltrudes Costa, José Tavares e o ministro do Interior, Manuel Homem, terão viajado para o Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde se encontraram com o antigo vice-Presidente da República, Manuel Domingos Vicente.
De acordo com as fontes do Imparcial Press, o encontro destinou-se a discutir uma eventual solução de consenso para a liderança do MPLA, caso João Lourenço venha a afastar-se da vida política antes ou depois do IX Congresso Ordinário do partido, previsto para a segunda semana de Dezembro.
Conforme a mesma versão, Manuel Vicente defenderia o nome de Carlos Feijó como a figura mais adequada para assegurar a continuidade da actual estrutura de poder.
Em paralelo, um outro grupo, alegadamente liderado pelo secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais do MPLA, João de Almeida Azevedo Martins (Jú Martins), e pela vice-presidente do partido, Mara Quiosa, terá promovido encontros com membros do Comité de Honra para discutir um eventual processo de sucessão.
As fontes afirmam que ambos os grupos partiam do pressuposto de que a recuperação clínica do Presidente poderia prolongar-se, procurando preparar o partido para diferentes cenários.
João Lourenço esteve internado no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, onde recebeu tratamento médico especializado. As autoridades angolanas não divulgaram até aqui informação detalhada sobre o seu quadro clínico.
O Imparcial Press apurou ainda, junto de fontes que pediram anonimato, que o Presidente terá permanecido vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sujeito a um protocolo de sedação profunda, utilizado em situações clínicas graves para estabilizar o organismo e reduzir a actividade metabólica.
As mesmas fontes sustentam que João Lourenço terá sofrido dois acidentes vasculares cerebrais (AVC) em dias consecutivos e que enfrenta uma doença oncológica em estado avançado.