Justiça em Angola faz injustiça – Dário Gaspar
Justiça em Angola faz injustiça - Dário Gaspar
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Justiça é a vontade constante e perpétua ,em dar a cada um o que é seu. Em Angola, a Justiça é administrada pelos Tribunais. Mas quando quem deveria garantir direitos, passa a violá-los, temos um problema de Estado.

O quadro actual

Hoje vivemos paradoxos inaceitáveis:

1. Morosidade que mata direitos
Casais separados há anos, esperam 5 anos ou mais por um divórcio. Providências cautelares, por lei são urgentes e deviam sair em 30 dias úteis, levam 10 meses ou mais para ter decisão.

      2. Prisões sem julgamento
      Cidadãos ficam detidos há mais de 3 anos, sem julgamento marcado. O prazo legal da prisão preventiva é violado. Há detidos sem processo e condenados sem prova. Ao mesmo tempo, há quem é declarado inocente apesar de provas claras contra si. A corrupção matou a Justiça.

        3. Impunidade e desconfiança
        Mulheres são violadas. Homens são mortos. Terras são usurpadas. Há difamação e outros crimes graves. Muitos processos ficam “esquecidos” no SIC, com provas contra os agentes do crime. Quando o cidadão procura justiça, encontra burocracia, dificuldades e, em muitos casos, corrupção e tráfico de influência.

          4. Acesso limitado
          Os Tribunais atendem para consulta de processos até às 12h, sem fundamento legal. O cidadão perdeu confiança e a segurança jurídica ficou no papel.

            Tudo acontece no silêncio do Conselho Superior da Magistratura Judicial, órgão máximo de gestão dos magistrados judiciais.

            Conclusão: é urgente reformar

            Angola precisa de uma reforma profunda da Justiça e da Constituição.

            Enquanto o Presidente da República continuar a indicar o Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, do Tribunal de Contas, do Tribunal Constitucional, o Procurador-Geral da República e o Presidente da Assembleia Nacional, as instituições continuarão reféns da política.

            Isto viola o princípio da separação de poderes – Legislativo, Executivo e Judicial – e mata a independência real do poder judicial. Sem independência material e institucional, não há democracia, não há justiça.

            Angola não precisa de mais leis. Precisa que a lei seja cumprida. Precisa de juízes livres, processos céleres e um Estado democrático e de direito que respeite os cidadãos.

            *Jurista

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