
Luanda continua a concentrar a maior fatia da população angolana, representando 24,1% do total de 36.604.681 habitantes, segundo os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) 2024, divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A capital conta actualmente com 8.816.297 residentes. A Huíla surge como a segunda província mais populosa, com 3.302.866 habitantes (9%), seguida do Huambo, com 2.691.902 (7,4%), e de Benguela, com 2.597.638 (7,1%).
No extremo oposto, o Cuando mantém-se como a província menos povoada, com apenas 138.770 habitantes.
Com a nova Divisão Política Administrativa (DPA), criada este ano, destaca-se entre as três novas províncias Icolo e Bengo, que reúne 1.372.670 habitantes, enquanto o Cubango soma 570.447 e o Moxico Leste regista 411.074 habitantes.
A densidade populacional média do país é de 29 habitantes por quilómetro quadrado, embora persistam grandes disparidades entre os municípios do litoral e os mais afastados dos centros urbanos.
O Censo também revela que cerca de 24% da população nacional reside nos dez municípios mais populosos, entre eles Kilamba Kiaxi, Cacuaco, Lubango, Viana, Huambo, Cazenga, Maianga e Camama, áreas que, juntas, representam menos de 1% do território nacional.
O director-geral do INE, Joel Futi, assegurou que os resultados agora divulgados são “sustentados por uma metodologia estatística rigorosa e internacionalmente validada”.
O responsável explicou que o instituto aplicou o método de estimação por sistema dual, combinando os dados recolhidos no terreno com o inquérito de cobertura, o que permitiu detectar omissões e eliminar duplicações.
“Os dados resultam de um processo tecnicamente robusto, totalmente alinhado com os padrões internacionais, e representam com precisão a realidade demográfica do país”, afirmou.
O RGPH 2024 contabilizou nove milhões de agregados familiares, número equivalente ao total de habitações registadas.
A estrutura etária angolana mantém-se jovem, com idade média de 23 anos, embora se observe uma ligeira redução no grupo dos 0 aos 9 anos.
Os resultados definitivos surgem dez meses após a conclusão da recolha massiva e seis meses depois do Inquérito de Cobertura, tendo como referência 19 de Setembro de 2024, data de início do recenseamento, encerrado a 19 de Novembro.
O Censo 2024 é apenas o segundo realizado após a Independência, mas destaca-se por ter sido a primeira operação censitária totalmente digital no país.
As entrevistas foram conduzidas através da plataforma CAPI (Computer Assisted Personal Interview), complementada pelo CATI (Computer Assisted Telephone Interview) durante as ações de controlo.
A operação seguiu as recomendações do manual das Nações Unidas “Handbook on the Management of Population and Housing Censuses“, incorporando ainda tecnologia inovadora em todas as fases, sobretudo no uso do Sistema de Informação Geográfica (SIG) para atualização cartográfica.
Esta modernização permitiu maior precisão na definição da malha territorial e um processamento de dados mais rápido.
O último recenseamento, em 2014, estimou a população angolana em 25.789.024 habitantes, dos quais 6.945.386 residiam em Luanda.
O Censo, realizado de dez em dez anos, continua a ser um instrumento fundamental para avaliar a evolução demográfica, socioeconómica e habitacional do país, servindo de base para políticas públicas e planeamento nacional.