Cidadão russo Lev Lakshtanov condenado em Angola perde rapidamente a visão e corre risco de descolamento da retina
Cidadão russo Lev Lakshtanov condenado em Angola perde rapidamente a visão e corre risco de descolamento da retina
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O cidadão russo Lev Matveevich Lakshtanov, de 64 anos, condenado a oito anos de prisão efectiva pelo Tribunal da Comarca de Luanda, apresenta um quadro de saúde agravado e estará a perder rapidamente a visão, segundo apurou o Imparcial Press junto de fontes fidedignas.

As mesmas fontes indicam que os problemas oftalmológicos atingiram um nível preocupante, existindo risco de descolamento da retina, enquanto outras doenças crónicas de que sofre também terão registado um agravamento.

A assistência médica especializada reclamada pela defesa e pelos familiares não terá, até ao momento, sido assegurada.

Lev Lakshtanov permanece privado de liberdade, na Comarca de Viana, numa situação que estará a contribuir para a deterioração do seu estado clínico.

O cidadão russo sofre de asma brônquica crónica, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e problemas graves de visão, além do agravamento de uma hérnia discal. Médicos terão recomendado acompanhamento e tratamento especializado.

Durante uma das visitas da equipa de defesa, o recluso terá sofrido um episódio agudo de asfixia, que obrigou à intervenção dos guardas prisionais. Os seus representantes legais afirmam igualmente que Lakshtanov sofreu um problema cardíaco pouco depois da detenção.

Face ao agravamento do estado de saúde, a defesa terá solicitado às autoridades a transferência do cidadão russo para uma unidade hospitalar civil ou a aplicação de uma medida que permita assegurar tratamento médico adequado, sem que, conforme as fontes, tenha sido dada uma resposta efectiva.

Lev Lakshtanov foi condenado pelo Tribunal da Comarca de Luanda, em 22 de Julho deste ano, a oito anos de prisão efectiva. O também cidadão russo Igor Ratchin foi condenado a 11 anos.

Os dois foram julgados num processo que envolve ainda cidadãos angolanos e que ficou conhecido como o caso dos “espiões russos”.

De acordo com o acórdão, Lakshtanov e Ratchin foram condenados por crimes que incluem associação criminosa, espionagem, terrorismo e retenção ilegal de moeda.

O Ministério Público, que igualmente recorreu da decisão por discordar da sentença, havia imputado aos arguidos um conjunto mais amplo de crimes, entre os quais espionagem, organização terrorista e financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, terrorismo, corrupção activa de funcionário e introdução ilícita de moeda estrangeira.

A defesa dos cidadãos russos também recorreu da decisão judicial.

No mesmo processo, o jornalista angolano Amor Carlos Tomé foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa, enquanto Oliveira Francisco, secretário para a Mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, foi absolvido.

Família questiona actuação da diplomacia russa

A situação de saúde de Lev Lakshtanov está também a provocar críticas dos seus familiares, que questionam a actuação da representação diplomática russa em Angola.

Segundo pessoas próximas das famílias de Lakshtanov e Ratchin, a Embaixada da Rússia em Luanda não terá desenvolvido iniciativas suficientes para garantir assistência aos dois cidadãos ou promover o seu eventual repatriamento.

Questionado anteriormente por jornalistas sobre o estado de saúde do cidadão russo, o embaixador da Rússia em Angola optou por não comentar.

De acordo com informações transmitidas pelas famílias, nem o Ministério das Relações Exteriores de Angola nem o tribunal terão recebido, até ao momento, qualquer pedido oficial das autoridades russas relacionado com o repatriamento dos cidadãos ou com uma intervenção diplomática específica no processo.

Lakshtanov nega as acusações que lhe são imputadas. Segundo a sua versão, encontrava-se em Angola no âmbito de um projecto relacionado com a criação de um centro cultural russo.

De salientar que o agravamento da saúde do cidadão russo já tinha sido noticiado anteriormente pelo Imparcial Press. Em Novembro de 2025, este jornal avançou que Lev Lakshtanov apresentava problemas de saúde considerados graves e permanecia detido no Hospital-Prisão de São Paulo, sob tutela dos Serviços Penitenciários de Angola.

Na altura, a defesa alertava para a existência de asma brônquica crónica, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e problemas oftalmológicos com risco de descolamento da retina.

A evolução agora relatada reacende as preocupações sobre as condições de saúde e de encarceramento do cidadão russo, numa altura em que o processo judicial continua a ser apreciado em sede de recurso.

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