
No dia 15 de Outubro, Angola volta os olhos para a Assembleia Nacional, onde o Presidente da República deverá apresentar o seu último discurso sobre o Estado da Nação. Mais do que um balanço institucional, espera-se um retrato fiel do país: o que mudou, o que ficou por fazer e o que ainda podemos esperar.
Ao longo do mandato, foram assumidos compromissos com o combate à corrupção, a criação de empregos, a melhoria da saúde e da educação, a diversificação económica e a redução das assimetrias regionais. Contudo, a questão fundamental não está na quantidade de promessas anunciadas, mas no grau da sua concretização.
Quantos empregos sustentáveis foram criados?
Que melhorias efectivas chegaram aos hospitais e às escolas?
Que indicadores permitem confirmar que as condições de vida dos angolanos melhoraram? Uma governação responsável deve ser avaliada não apenas pelas metas que estabelece, mas pelos resultados que consegue demonstrar.
Outro aspecto incontornável é a distribuição territorial do investimento público. O desenvolvimento nacional não pode ser medido exclusivamente pelas realizações dos grandes centros urbanos, ignorando as necessidades das demais províncias.
Importa perceber se os investimentos têm contribuído para reduzir as assimetrias regionais, ampliar o acesso aos serviços essenciais e criar oportunidades para os jovens. Afinal, o crescimento económico só se traduz em progresso quando os seus benefícios alcançam a população, independentemente da província onde vive.
Por isso, espera-se que o discurso presidencial ultrapasse a apresentação de realizações e constitua um verdadeiro exercício de prestação de contas com dados verificáveis, reconhecimento das insuficiências e compromissos concretos para os desafios que persistem.
Entre as promessas e a realidade, a pergunta que permanece não é apenas o que foi feito, mas o que mudou efectivamente na vida dos angolanos. Porque o Estado da Nação não se revela somente nos números apresentados pelo poder político, mas também nas condições de vida daqueles em nome de quem se governa.
*Escritora | Formadora | Oradora | Mentora internacional para o estudo de inconstitucionalidades na Lusofonia | Jurista e defensora da formação