
É notório que o MPLA, é um partido político, não civilizado. Um partido político não civilizado é aquele que, em vez de compreender a política como um instrumento de serviço público, diálogo democrático e construção do bem-estar colectivo, transforma o poder numa ferramenta de intimidação, exclusão, manipulação e desrespeito pela dignidade humana.
Mas afinal, quem não sabe que o MPLA, é um partido político, não civilizado?
Um partido político não civilizado é aquele que exige respeito, mas não respeita; reclama democracia, mas não tolera a divergência; fala em liberdade, mas procura silenciar a crítica; invoca a paz, mas alimenta a intolerância; e proclama defender o povo, mas trata a vontade popular como um obstáculo à conservação do poder.
É aquele que confunde autoridade com superioridade, disciplina com submissão, oposição com inimizade e divergência política com uma declaração de guerra.
Um partido político não civilizado não se define simplesmente pelas suas ideias ideológicas, pela sua origem histórica ou pelo tempo que permanece no poder, mas pela maneira como exerce a autoridade, trata os adversários, respeita os cidadãos e se submete às regras democráticas.
Quando um partido político, como o MPLA, utiliza a intimidação em lugar do argumento, a propaganda em substituição da verdade, o insulto para fugir ao debate e os recursos públicos como se fossem propriedade privada, não estamos apenas perante uma crise de comportamento político, estamos perante uma profunda crise de civilidade democrática.
A verdadeira prova de civilidade de um partido político, não está naquilo que diz sobre a democracia quando governa, mas naquilo que faz para a proteger quando a democracia ameaça retirar-lhe o poder.
Um partido político, verdadeiramente democrático, reconhece que o Estado pertence a todos os cidadãos, e não apenas aos seus militantes; que a oposição não é inimiga da pátria, mas parte legítima do pluralismo político; e que nenhum mandato eleitoral transforma um governante em proprietário da soberania popular.
Por isso, um partido político, que não consegue conviver com a crítica, respeitar a oposição, aceitar a fiscalização e reconhecer os limites constitucionais do poder, pode ter símbolos, hinos, estruturas, militantes e décadas de história, mas esses elementos, por si só, não lhe conferem maturidade democrática.
A civilidade política mede-se pela capacidade de respeitar o adversário sem abandonar as próprias convicções, de exercer o poder sem humilhar o cidadão, como tem feito o MPLA a mais de cinco décadas. O MPLA, perdeu nas urnas, a maioria das eleições realizadas em Angola, porém, o MPLA, sempre destruiu as regras do jogo democrático em Angola.
O MPLA deve saber que, em democracia, perder eleições, não significa perder a pátria, assim como vencer eleições não significa tornar-se dono do Estado.
Um partido político, até pode conquistar o poder pelas urnas e, ainda assim, revelar pobreza de civilidade no seu comportamento. O poder legitima-se eleitoralmente; a civilidade demonstra-se diariamente.
Portanto, a meu modo de ver, esta reflexão pode servir um critério de análise política, aplicável a qualquer partido político, independentemente da sua ideologia ou posição no poder ou fora do poder.
Para classificar um partido concreto como desrespeitador da civilidade democrática, é necessário examinar comportamentos verificáveis, decisões, declarações e práticas institucionais, em vez de depender apenas de acusações ou preferências partidárias.
Twala Kwmoxi, anangola!
Ku tanga ku kula! – Ler é crescer!
*Professor