
Fontes próximas da direcção do MPLA afirmam que os órgãos de comunicação social, entre eles a TPA, TV Zimbo, Jornal de Angola, Angop e outros ligados ao regime, terão recebido orientações para realizar entrevistas com membros do Bureau Político e do Comité Central do MPLA, tendo como principal alvo o pré-candidato Higino Carneiro.
A medida surge na sequência das dificuldades que o presidente cessante, João Lourenço, na qualidade de Coordenador Nacional da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso do MPLA, estará a enfrentar para apresentar ao Tribunal Constitucional provas de alegadas falsificações nas subscrições contra Higino Carneiro, após a anulação considerada precipitada da candidatura daquele político, num processo marcado por alegadas irregularidades cometidas por Job Capapinha.
Segundo as mesmas fontes, a orientação é que dirigentes do MPLA demonstrem a sua lealdade a João Lourenço através de declarações públicas contra Higino Carneiro.
Os entrevistados deverão questionar a sua idoneidade, classificá-lo como um político sem seriedade e defender que não constitui um exemplo para a sociedade, alegando, por isso, que não estaria preparado para liderar o MPLA, muito menos o país.
Analistas consideram que esta estratégia poderá produzir um efeito contrário ao pretendido pela equipa de João Lourenço, contribuindo para aumentar a visibilidade e a popularidade de Higino Carneiro.
De acordo com estes especialistas, a tentativa de apresentar o político como alguém sem idoneidade e carácter poderá acabar por reforçar a sua posição, sobretudo pelo facto de estar a recorrer aos tribunais para contestar decisões que considera injustas.
Ainda de acordo com fontes internas do MPLA, ao contrário das informações segundo as quais o partido não teria respondido ao Tribunal Constitucional dentro do prazo estabelecido, o MPLA terá apresentado a sua posição no âmbito da providência cautelar interposta por Higino Carneiro.
Entretanto, o principal problema estaria relacionado com a consistência dos argumentos apresentados pelo partido, bem como com o facto de a equipa de Higino Carneiro nunca ter sido notificada pela Subcomissão de Candidaturas para prestar esclarecimentos ou acompanhar o processo de averiguação do dossier.
Este facto reforça a tese de que a Subcomissão de Candidaturas do IX Congresso terá cometido várias irregularidades na apreciação do processo submetido por Higino Carneiro. Há ainda a indicação de que a resposta enviada pelo MPLA ao Tribunal Constitucional resultou de ajustes e arranjos destinados a justificar decisões tomadas de forma precipitada, o que poderá aumentar a percepção pública de que o teatro protagonizado por Job Capapinha está deixar mal o MPLA perante a sociedade angolana e a comunidade internacional.