José António: o “bufo” da embaixadora Guilhermina Prata
José António: o "bufo" da embaixadora Guilhermina Prata
bufo

Um motorista da Embaixada de Angola em França, identificado como José António, é apontado como o “bufo” da embaixadora Guilhermina Contreiras da Costa Prata, que tem vigiado e gravado conversas privadas de funcionárias da missão diplomática.

Uma das suas vítimas foi uma antiga funcionária da missão diplomática, Sandra Lousada, que foi gravada, sem o seu conhecimento, numa conversa privada mantida com o “bufo” José António, tendo este posteriormente enviado o conteúdo à embaixadora Guilhermina Prata.

Segundo informações transmitidas ao Imparcial Press, a gravação terá ocorrido fora do horário de trabalho e numa conversa de carácter informal.

Sandra Lousada, que trabalhou durante mais de 18 anos na missão diplomática, chegou a contestar o seu despedimento e afirma que a gravação foi utilizada para fundamentar a decisão da embaixadora.

A antiga funcionária sustenta que foi afastada sem que lhe tivesse sido instaurado um processo disciplinar ou concedida oportunidade para prestar esclarecimentos sobre o conteúdo da conversa.

José António é ainda apontado, por relatos recolhidos pelo Imparcial Press, como estando actualmente envolvido na recolha de informações sobre outros funcionários da missão, incluindo gravações de conversas nos corredores da embaixada.

Circulam igualmente informações de que o motorista terá sido gratificado com um aumento salarial e um carro pelos serviços da “bufaria” pela própria embaixadora.

“Provavelmente vai sair no quadro de honra como o melhor de 2026 pelo serviço da bufaria que tem prestado a embaixadora”, ironizou a fonte deste jornal.

O caso ocorre num contexto em que funcionários da representação diplomática têm relatado um ambiente de vigilância e tensão interna, com acusações de perseguição e utilização de informações obtidas de forma informal para fundamentar decisões administrativas.

A situação levanta também questões sobre os limites da actividade de vigilância dentro das representações diplomáticas. Em Angola, os serviços de inteligência desempenham funções específicas no âmbito da segurança do Estado nas empresas públicas e, nas missões diplomáticas, a recolha de informação externa é uma das áreas associadas ao Serviço de Inteligência Externa (SIE).

Para trabalhadores da missão, a eventual utilização de funcionários comuns como informadores internos é uma prática incompatível com o normal funcionamento de uma representação diplomática.

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