
Os cidadãos angolanos vão passar a poder entrar na Região Administrativa Especial de Macau sem necessidade de obter visto antecipadamente, ao abrigo de um acordo de isenção mútua de vistos que será celebrado entre o Governo de Angola e o Executivo daquele território chinês, numa medida apontada como um impulso às relações comerciais e empresariais entre as duas partes.
A decisão consta de uma ordem executiva assinada pelo chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, datada de 2 de Julho e publicada esta semana no Boletim Oficial da região, que confere ao secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, poderes para formalizar o acordo com o Governo angolano.
A futura isenção de vistos permitirá facilitar a circulação de cidadãos entre Angola e Macau, eliminando a necessidade de obtenção prévia de autorização de entrada, nos termos que vierem a ser definidos no acordo bilateral.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Assembleia-Geral da Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), Pedro Lobo, considerou que a medida poderá contribuir significativamente para o reforço das relações económicas entre os dois territórios, sobretudo numa altura em que Angola decidiu encerrar o seu Consulado em Macau.
Segundo o responsável, a dispensa de vistos “pode ajudar, e muito, as relações comerciais”, reduzindo as dificuldades que empresários angolanos enfrentavam nas deslocações à região.
Pedro Lobo recordou que vários empresários angolanos chegaram a ver frustradas viagens de negócios por dificuldades na obtenção de vistos de trânsito, nomeadamente através de Hong Kong.
Apesar de saudar a decisão, defendeu que o impacto económico será ainda maior caso venham a ser estabelecidas ligações aéreas directas entre Angola e Macau ou outras cidades vizinhas, como Hong Kong ou Cantão.
O encerramento do Consulado-Geral de Angola em Macau foi anunciado em Maio pelo Ministério das Relações Exteriores, no âmbito de um processo de racionalização da rede diplomática, justificado pelo Executivo com a necessidade de reduzir custos e adequar os recursos disponíveis.
Com este acordo, Angola tornar-se-á o quarto país de língua portuguesa, depois de Portugal, Brasil e Cabo Verde, cujos cidadãos beneficiam da isenção de visto para entrar em Macau.
Macau desempenha desde 2003 um papel de plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, através do Fórum de Macau, organismo que integra Angola e os restantes membros lusófonos.
As relações entre Angola e Macau conheceram igualmente um reforço em Maio de 2025, com a assinatura de um acordo de cooperação para a troca de informações destinadas à prevenção do branqueamento de capitais, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição maciça.