
A candidatura do general na reforma Francisco Higino Lopes Carneiro à presidência do MPLA continua envolta em incertezas, numa altura em que os aliados de João Lourenço são apontados como protagonistas de movimentações internas destinadas a atrasar o processo de validação da sua candidatura ao congresso ordinário do partido, previsto para dezembro deste ano.
Segundo fontes do Imparcial Press, o presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, e o ministro do Interior, Manuel Homem, estarão a exercer influência política junto do secretário-geral do MPLA, Paulo Pombolo, e do secretário do Bureau Político para os Assuntos Políticos e Eleitorais, João de Almeida Azevedo Martins, ou melhor, “Jú Martins”, que, curiosamente, é mandatário de João Lourenço, para que não seja dada prioridade à apreciação da candidatura de Higino Carneiro.
As fontes sustentam que estas alegadas diligências visam impedir ou retardar a formalização da candidatura do antigo governador de Luanda, que já goza do apoio da ala mais restrita do MPLA, que defende uma disputa interna com múltiplas candidaturas.
Paralelamente, as mesmas fontes referem que Mara Quiosa, vice-presidente do MPLA, e o coordenador da Subcomissão de Candidaturas, Job Castelo Capapinha, igualmente ligado às estruturas organizativas do processo congressual, terão sido orientados a não acelerar os procedimentos relativos à análise da candidatura do general.
Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá remetido o processo judicial envolvendo Higino Carneiro ao Tribunal Supremo. Contudo, conforme fontes do Imparcial Press, o processo contém “irregularidades administrativas” e insuficiência de elementos probatórios.
No entanto, o Imparcial Press sabe que o advogado de defesa do general, José Carlos, ainda não foi formalmente notificado da remessa do processo nem dos respectivos actos processuais.
Higino Carneiro, de 71 anos, formalizou recentemente a intenção de disputar a presidência do MPLA, depois de anunciar publicamente a intenção de concorrer contra o actual líder, João Lourenço, que está a recandidatar-se à presidência da formação política no congresso previsto para Dezembro.
Antigo governador das províncias de Luanda e do Cuando Cubango, Higino Carneiro é uma das figuras históricas do MPLA e desempenhou funções militares de relevo durante a guerra civil.
Nos últimos anos, o general viu o seu nome associado a investigações por alegados crimes relacionados com a gestão de recursos públicos durante o exercício de funções governativas, processos que têm permanecido sob investigação das autoridades judiciais. O próprio tem rejeitado qualquer prática ilícita.
A eventual validação da sua candidatura poderá depender, entre outros factores, da evolução desses processos judiciais e do cumprimento dos requisitos estatutários definidos pelo MPLA para a eleição da futura direcção do partido.