
O psicólogo clínico e psicoterapeuta conjugal angolano Nvunda Will Sérgio Tonet, faleceu hoje, terça-feira, 20, de forma súbita, em Luanda, em circunstâncias ainda por esclarecer, segundo confirmaram fontes familiares e hospitalares.
De acordo com os mesmos relatos, Nvunda Tonet sentiu-se mal durante o dia e foi transportado de urgência para a Clínica Girassol, na capital angolana, onde acabou por não resistir, numa situação descrita como “uma morte quase repentina”.
Fontes próximas da família descreveram o óbito como “súbito e inesperado”, acrescentando que aguardam esclarecimentos clínicos detalhados sobre as causas da morte.
A morte ocorre num contexto em que o pai da vítima, William Tonet, tem sido um crítico público e persistente do executivo liderado por João Lourenço, facto que leva familiares e pessoas próximas a defenderem a necessidade de um apuramento rigoroso e transparente das circunstâncias do óbito.
Filho do jornalista e advogado William Afonso Tonet, fundador do semanário Folha 8, Nvunda Tonet era uma figura reconhecida no meio académico e clínico angolano.
Psicólogo clínico de formação, exercia funções no Hospital Psiquiátrico de Luanda e lecionava em várias instituições de ensino superior, entre as quais a Universidade Óscar Ribas, a Universidade Lusíada de Angola, a UTANGA, o Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e o Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais (CIS).
Era igualmente colaborador do Portal de Psicólogos de Portugal e mestrando em Novas Tecnologias Aplicadas à Educação pelo Instituto Universitário de Posgrado, de Madrid.
Detinha ainda formação em psicoterapia sexual pelo Instituto Paulista de Sexualidade, no Brasil, e em psiquiatria e saúde mental pela Universidade Católica Portuguesa.
Nvunda Tonet foi autor de diversas obras, entre as quais “Psicólogos, porquê e para quê?”, “Educar os filhos sem bater” e “Revelações Afetivas e Sexuais”, nas quais defendia uma abordagem humanista à saúde mental, à sexualidade e à educação, com forte ênfase na parentalidade consciente e não violenta.
Para além da carreira na psicologia, teve também passagem pelo jornalismo cultural, tendo sido editor de Cultura no semanário Folha 8.
Era ainda membro do conselho científico da revista Crioula, da Universidade de São Paulo, e da revista “Ntentembwa”, do Instituto Superior Politécnico Tocoísta, escrevendo igualmente para a revista angolana “Psicólogos Angola”.
A sua morte está a ser lamentada por colegas, estudantes e leitores, que o recordam como um profissional dedicado, sensível e comprometido com o bem-estar social e a defesa dos direitos das crianças.
Até ao momento, a família ainda não divulgou informações sobre as cerimónias fúnebres.