
O director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), Dorivaldo Teixeira, reafirmou hoje o compromisso de Angola de liquidar a dívida com a China até 2028, admitindo que a meta dependerá da manutenção dos atuais níveis do preço do petróleo nos mercados internacionais.
Em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação do balanço da execução do Plano Anual de Endividamento referente ao primeiro semestre de 2026, o responsável afirmou que a dívida com a China continua numa trajetória descendente, sobretudo a componente garantida por petróleo.
Segundo Dorivaldo Teixeira, o montante atualmente em dívida à China ronda os 6,8 mil milhões de dólares, valor significativamente inferior ao registado nos últimos anos.
O responsável explicou, contudo, que o stock da dívida pública angolana aumentou no primeiro semestre deste ano, passando de 66 mil milhões para 72 mil milhões de dólares.
O crescimento, justificou, resulta da antecipação de operações de financiamento previstas no Plano Anual de Endividamento, bem como da emissão de dois Eurobonds, que permitiram ao Estado angolano captar quatro mil milhões de dólares nos mercados internacionais.
Para o aumento do endividamento contribuíram igualmente operações realizadas no mercado interno, através da emissão de Obrigações do Tesouro.
Apesar de reconhecer que o contexto geopolítico internacional continua a pressionar as condições de financiamento, Dorivaldo Teixeira destacou uma melhoria da perceção de risco sobre Angola, traduzida numa redução das taxas de juro exigidas pelos investidores.
O diretor-geral da UGD referiu ainda que o perfil da dívida pública registou uma evolução positiva, indicando que o peso da dívida com vencimento de curto prazo diminuiu de 18%, no início do ano, para 16% atualmente, mantendo-se o objetivo de reduzir esse indicador para 14%.
A China continua a ser o principal credor bilateral de Angola, tendo financiado, ao longo das últimas duas décadas, grande parte dos projetos de reconstrução nacional através de linhas de crédito garantidas por petróleo.
Nos últimos anos, o Governo angolano tem vindo a reduzir gradualmente essa exposição, apostando na diversificação das fontes de financiamento e na melhoria do perfil da dívida pública.