Cidadã acusa empresa Manuel Rosa Business de ficar com dez motorizadas sem pagar rendimentos
Cidadã acusa empresa Manuel Rosa Business de ficar com dez motorizadas sem pagar rendimentos
Manuel Rosa

Mais de um ano após o termo do contrato de investimento celebrado com a Manuel Rosa Business Corporation, uma cidadã continua sem receber os 6,2 milhões de kwanzas que afirma serem-lhe devidos, depois de ter investido na aquisição de dez motorizadas para um negócio que lhe foi apresentado como altamente rentável.

O caso soma-se a outras denúncias de alegado incumprimento contratual envolvendo a empresa, cuja actividade se encontra, entretanto, praticamente paralisada e cujas instalações estão encerradas, segundo relatos recolhidos pelo Imparcial Press.

A lesada, que pediu para não ser identificada, afirma ter investido todas as suas poupanças num dos programas de rentabilização de motorizadas promovidos pela empresa, acreditando que obteria rendimentos mensais durante seis meses.

Hoje, diz enfrentar dificuldades financeiras, problemas de saúde e o risco de perder um visto de residência para o estrangeiro por falta de dinheiro para adquirir a passagem aérea.

Segundo a documentação a que o Imparcial Press teve acesso, a mesma assinou, a 8 de Dezembro de 2024, um contrato de prestação de serviços denominado “Xeque-Mate”, através do qual entregou à empresa dez motorizadas para exploração comercial.

O contrato previa um período inicial de incubação de um mês, seguindo-se o pagamento de um milhão de kwanzas mensais entre Fevereiro e Junho de 2025, terminando com uma prestação final de 1,2 milhões de kwanzas em Julho do mesmo ano. No total, deveria receber 6,2 milhões de kwanzas. Os pagamentos, porém, nunca chegaram.

Depois de vários contactos informais e reclamações escritas, a empresa justificou os atrasos com alegados constrangimentos operacionais, sem nunca apresentar uma solução concreta, relata a denunciante.

Em Maio de 2025, perante a crescente pressão dos investidores, a Manuel Rosa Business assinou uma declaração de compromisso, na qual reconhecia os atrasos e prometia regularizar todos os pagamentos em dívida no prazo de 90 dias.

O documento fixava o final de Agosto como data-limite para a liquidação dos valores. O prazo expirou sem que qualquer pagamento tivesse sido efectuado.

Perante o incumprimento, a investidora recorreu ao Tribunal para uma tentativa de conciliação extrajudicial, suportando os respectivos custos processuais. A diligência acabou frustrada porque, segundo conta, o representante da empresa não compareceu.

Sem alternativa, apresentou uma participação criminal na esquadra do Hoji-Ya-Henda. O processo foi posteriormente remetido à Procuradoria-Geral da República e, meses depois, encaminhado ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) Provincial de Luanda, onde continua sem decisão conhecida.

A denunciante lamenta a morosidade do processo e afirma desconhecer o estado das investigações.

Enquanto aguarda por uma resposta das autoridades, diz viver uma situação de grande fragilidade económica. “O dinheiro que investi era praticamente tudo o que tinha. Hoje estou desempregada, com problemas de saúde e sem meios para recuperar a minha vida”, relata.

A situação tornou-se ainda mais delicada porque o visto que havia conseguido obter para emigrar está prestes a expirar.

Segundo explica, gastou mais de dois milhões de kwanzas em todo o processo de obtenção do visto e teme perder esse investimento por não conseguir reunir dinheiro suficiente para comprar a passagem aérea.

A lesada afirma ainda que os contactos telefónicos da empresa deixaram de funcionar e que as instalações onde anteriormente operava encontram-se encerradas.

Empresa já foi alvo de outras denúncias

A Manuel Rosa Business Corporation ganhou notoriedade no mercado angolano através de programas de investimento que prometiam elevados retornos financeiros mediante a aquisição de motorizadas, táxis, viaturas e outros activos explorados pela empresa.

Nos últimos meses, porém, multiplicaram-se as denúncias de investidores que afirmam não receber os rendimentos contratados nem conseguir reaver o capital investido.

Diversos lesados apresentaram participações junto das autoridades judiciais e do Serviço de Investigação Criminal, alegando que a empresa deixou de honrar os compromissos assumidos e encerrou as suas instalações, sem prestar esclarecimentos aos clientes.

O Imparcial Press tentou contactar a Manuel Rosa Business Corporation para obter uma posição sobre as acusações, mas não foi possível obter qualquer resposta.

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