
O pré-candidato à presidência da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Carlito Roberto, filho do fundador do partido, Holden Roberto, formalizou, na tarde desta segunda-feira, a sua candidatura junto da subcomissão de candidaturas criada por membros do Comité Central, estrutura apoiada pelo antigo presidente da FNLA, Ngola Kabango.
Segundo o mandatário da candidatura, Gonçalves Pedro Buca, o processo reúne todos os requisitos exigidos pela subcomissão, incluindo a autobiografia, cópia do Bilhete de Identidade e restante documentação necessária para validação da candidatura.
“Já formalizámos a nossa candidatura e, de acordo com os requisitos definidos pela subcomissão, cumprimos todos os pressupostos exigidos”, afirmou.
Esta é a segunda vez que Carlito Roberto concorre à liderança da FNLA. De acordo com o seu mandatário, desta vez o projeto político apresenta-se renovado e assente numa estratégia mais consistente.
“A candidatura de Carlito Roberto assenta num projeto claro e específico. Assim que a pré-candidatura for validada, serão apresentados, em momento oportuno, os objetivos e o programa desta candidatura”, explicou.
Pedro Buca reconheceu igualmente que a campanha anterior revelou fragilidades ao nível da organização e da comunicação, garantindo que essas limitações foram ultrapassadas.
“Entendemos que, nas anteriores candidaturas, a assessoria era insuficiente. Desta vez, a estrutura está reforçada e acreditamos que isso já se reflete no impacto que o anúncio da candidatura teve em todo o país”, sustentou.
Com as eleições gerais de 2027 no horizonte, a candidatura pretende reposicionar a FNLA no panorama político nacional. Segundo o mandatário, o objetivo passa por tornar o partido mais interventivo e competitivo.
“A intenção de Carlito Roberto é imprimir uma nova dinâmica ao partido, tornando a FNLA mais forte, mais dinâmica e mais diferenciada no contexto político nacional”, afirmou.
A formalização da candidatura acontece num momento de forte divisão interna na FNLA, marcada pela disputa em torno da realização do próximo congresso.
Questionado sobre qual das alas pretende liderar, Pedro Buca respondeu que Carlito Roberto pretende assumir a liderança de uma “FNLA clarificada”, defendendo que cabe ao Comité Central encontrar uma solução para as divergências.
“Toda a força política rege-se pelas decisões do seu órgão máximo. Na FNLA é o Comité Central que define a estratégia do partido, decide sobre a participação nas eleições e aprova as listas de candidatos à Assembleia Nacional”, afirmou.
Duas comissões preparam o congresso
O processo de preparação do próximo congresso decorre atualmente sob a existência de duas comissões organizadoras.
Uma delas foi constituída pelo Comité Central e é coordenada por Ndonda Nzinga. A outra foi criada pela direção do partido, liderada por João Roberto Soki, que contesta a legitimidade da primeira.
Pedro Buca justificou a entrega da candidatura à comissão criada pelo Comité Central, alegando que esta resulta das deliberações do órgão máximo do partido.
“As orientações devem partir sempre do Comité Central. É esse o órgão soberano da FNLA e é pelas suas decisões que o partido se deve reger”, defendeu.
O prazo para apresentação de candidaturas junto da comissão criada pelo Comité Central termina esta segunda-feira.
Até ao momento, já formalizaram as suas candidaturas Fernando Pedro Gomes, Daniel Afonso, Álvaro Manuel, Kiako Samuel Kiala e Carlito Roberto, elevando para cinco o número de pré-candidatos à liderança do histórico partido fundado por Holden Roberto.