
A Embaixada de Angola em França suportou despesas de 25.159,65 euros (quase 33 milhões de kwanzas) na aquisição de colchões, roupa de cama, toalhas e outros artigos destinados aos três netos da embaixadora Guilhermina Contreiras da Costa Prata, e do general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, que residem actualmente na residência oficial da missão diplomática, em Paris.
Segundo a documentação em posse do Imparcial Press, as aquisições incluem colchões de gama alta, sommiers, edredões, lençóis, fronhas, toalhas de banho e acessórios, adquiridos junto de várias empresas francesas, entre as quais a Conforama, Maison de la Literie, Metro e J.M.P. Rénovation.
Os documentos referem que o montante global ascende a 25.159,65 euros, distribuídos por várias facturas emitidas ao longo do processo de aquisição.
Entre os artigos adquiridos constam colchões com valores individuais até 2.975 euros, um edredão orçado em mais de 1.260 euros, além de conjuntos completos de roupa de cama e toalhas de marcas de luxo.
A documentação consultada associa estas despesas ao apetrechamento da residência da chefe da missão diplomática angolana em Paris e refere que os bens se destinariam, alegadamente, aos três netos da diplomata, filhos de Ana Prata Vieira Dias, ex-esposa de Kopelipa Pitta Grós Vieira Dias, filho do general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”.
Do conjunto das despesas constam, entre outras, uma factura da Conforama, no valor de 2.499,98 euros, várias faturas da Maison de la Literie, que totalizam 13.176,01 euros, uma aquisição junto da Metro, de 22,66 euros, uma fatura da empresa J.M.P. Rénovation, de 2.484 euros, e uma encomenda adicional da Maison de la Literie, no valor de 6.977 euros.
As aquisições incluem ainda serviços de entrega e instalação dos equipamentos.
A divulgação dos documentos surge numa altura em que o Executivo angolano tem reiterado a necessidade de contenção da despesa pública e de racionalização dos gastos do Estado, incluindo nas missões diplomáticas.
O Imparcial Press contactou a Embaixada de Angola em França, a embaixadora Guilhermina Prata e o Ministério das Relações Exteriores para obter esclarecimentos sobre a natureza das despesas, a sua conformidade com as normas de execução orçamental e se os bens adquiridos integram o património do Estado angolano, mas até ao momento não obteve resposta.
Caso venha a confirmar-se que parte dos bens foi adquirida para uso privado de familiares, especialistas em finanças públicas consideram que caberá aos órgãos de fiscalização, designadamente a Inspeção-Geral da Administração do Estado (IGAE) e o Tribunal de Contas, apurar a legalidade e a regularidade da utilização de fundos públicos.