FAF suspende castigo de equipas (Petro de Luanda, Kabuscorp e Académica) penalizadas
FAF suspende castigo de equipas (Petro de Luanda, Kabuscorp e Académica) penalizadas
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O Conselho Jurisdicional da Federação Angolana de Futebol (FAF) recepcionou, no decorrer dessa semana, vários “recursos com efeitos suspensivos” interpostos, particularmente, pelas direcções das equipas do Petro de Luanda, Kabuscorp do Palanca e Académica do Lobito (de Benguela).

A direcção do Kabuscorp do Palanca interpôs na última quarta-feira, em Luanda, ao Conselho Jurisdicional da FAF um recurso com efeito suspensivo à luz do processo de que é alvo.

O documento, dirigido ao Conselho Jurisdicional do órgão reitor do futebol nacional, cujo teor é desconhecido, foi apresentado pelo director para a modalidade do clube do Palanca, José Domingos “Dimas”.

A direcção da colectividade defende que, enquanto as partes envolvidas no processo aguardam pelo pronunciamento do Conselho Jurisdicional, o Campeonato Nacional “Girabola2023-24” deve iniciar para salvaguardar a modalidade.

Já as direcções do Petro Atlético de Luanda e da Académica Petróleos Clube do Lobito interpuseram – no dia seguinte (quinta-feira) – os seus recursos.

O Imparcial Press sabe que, juridicamente, com a interposição dos referidos recursos com efeitos suspensivos imediatos, as equipas penalizadas, por força das normas, ficam livres de participar em competições nacionais e internacionais, até a decisão final do Conselho Jurisdicional da FAF.

Não obstante, na quinta-feira última, em Malanje, o Presidente da República, João Lourenço, apelou ao bom senso em relação à situação vigente no futebol nacional, uma vez que ameaça, não apenas o Campeonato Nacional, vulgo Girabola, mas também o próprio futebol angolano.

“Não posso ir mais ao detalhe porque creio que a Federação Angolana de Futebol e as associações provinciais me estão a ouvir e saberão fazer melhor do que eu, no sentido de salvaguardar apenas duas questões: Não comprometer o campeonato e não matar o futebol angolano”, frisou na altura.

Apesar de considerar que deve haver bom senso, o Chefe do Estado defende que se haver efectivamente a necessidade de castigar alguns prevaricadores, “que seja feito, sem nunca pôr em jogo a continuidade do campeonato e muito menos que não mate o futebol angolano”.

João Lourenço considerou a situação “de muito grave”, pelo facto de que o futebol, a nível mundial, é um desporto das multidões, não sendo diferente em Angola.

De realçar que as suspeitas de viciação de resultado e corrupção desportiva no futebol nacional, levantadas no áudio vazado nas redes sociais, no dia 9 de Junho, produziram como consequência a suspensão do Petro de Luanda de toda a actividade, por dois anos, ficando assim impedido de competir na modalidade, no país.

O clube petrolífero, bicampeão do Girabola e detentor da Taça de Angola, é punido por incumprimento do dever de colaboração, de acordo com o Comunicado Oficial nº 31/SG/23, da Federação Angolana da modalidade (FAF), datado de 31 de Agosto e assinado pelo secretário-geral, Fernando Rui Costa.

“Informado o Clube APL, sobre o despoletar do presente processo disciplinar, e convidado a pronunciar-se sobre o teor do áudio no que ao Clube diz respeito, o Clube afirmou não ter conhecimento oficial do áudio, que por sinal impactou, pelas piores razões, o exercício da modalidade no país”, lê-se no documento de 37 páginas.

A agremiação presidida por Tomás Faria foi arrolada no inquérito aberto pelo Conselho de Disciplina da FAF, dado o facto de o seu atleta Mário Manuel de Oliveira “Ito” ter ficado incontactável, alegadamente, segundo o acórdão, para proteger quem ordenou a transferência bancária a favor do atleta Márcio Luvambo (Académica do Lobito) e que “gratificou a vitória obtida diante do Clube 1º de Agosto, na partida 216/23, da 27ª jornada do Girabola”.

Márcio Luvambo foi suspenso de toda a actividade, com efeitos imediatos, por um período de um ano, e ainda sancionado com multa no valor correspondente a 3.000 UCF (Unidade de Correcção Fiscal). Um UCF equivale a 88 kwanzas, estando o atleta obrigado a depositar a quantia de 264 mil kwanzas, nos cofres da Federação.

Foram igualmente sancionados o técnico da Académica do Lobito, Agostinho Tramagal, e o presidente e proprietário o Kabuscorp do Palanca, Bento Kangamba, ambos com quatro (4) anos de suspensão e multa no valor correspondente a 6.000 UCF, por corrupção.

O Kabuscorp e a Académica acabaram punidos com baixa de divisão e multa equivalente a 80.000 UCF, por manipulação de resultado no Jogo n.º 22/2023, da Taça de Angola, por presumível acordo entre o presidente do clube do Palanca e o treinador dos estudantes lobitangas, com base no comunicado.

Acordo na Taça de Angola

No áudio vazado, ouve-se Agostinho Tramagal a confessar a Adolfo Manuel, facilitador, a celebração de compromisso com Bento Kangamba, de modo a permitir o avanço do Kabuscorp à final da Taça de Angola, mediante a adopção de uma postura passiva pelos seus jogadores.

O 1º de Agosto é punido, por inobservância dos seus deveres para com a Federação, com multa em valor correspondente a 2.000 UCF (176 mil kwanzas), “em prazo não superior a 20 dias”. A questão do envolvimento do jornalista é remetida à RNA, Comissão da Carteira e Ética e Associação de Imprensa Desportiva (AIDA).

Noutro processo, acabaram punidos o árbitro Lucas Caliongo, com um (1) ano de suspensão, Marximina Bernardo, secretária-geral do Kabuscorp, seis (6) anos, por prática de corrupção no Jogo n.º 30, da 10 ª jornada de apuramento para a I Divisão, entre as equipas do São Salvador do Zaire e o Kabuscorp.

O assunto pode até evoluir para a FIFA, significando maior tempo de espera para uma solução definitiva, mas enquanto isso, as três formações estão habilitadas em competir nas provas nacionais e internacionais conforme o seu normal curso.

A FAF deve remarcar a disputa da Supertaça, prova que devia abrir a presente época futebolistica, no passado dia três, no Estádio Nacional Tundavala, na cidade do Lubango, província da Huíl, entre o Petro de Luanda e a Académica do Lobito.

O Girabola2023-24, marcado para o próximo dia 15, pode já não ser alvo de adiamento como se perspectivava, num sorteio que colocou na 1.ª jornada 1.º de Agosto/Petro de Luanda, o maior “clássico” nacional.

O Petro pode ainda participar na Superliga Africana, que arranca em 20 de Outubro, tendo o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, como adversário da 1.ª jornada, no caso de até lá a situação manter-se ou se definitivamente ganhar razão no processo.

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