
Há um país que se constrói com cimento, estradas, hospitais e escolas. Mas existe outro país, igualmente importante, que se constrói no silêncio das bibliotecas, nas páginas dos livros e no hábito da leitura. É esse país que forma cidadãos conscientes, críticos e preparados para enfrentar os desafios do futuro.
Em Angola, ainda encaramos a leitura como uma atividade secundária, quando, na verdade, ela deveria ser uma prioridade nacional. Uma sociedade que lê é uma sociedade que pensa, questiona, cria e encontra soluções para os seus próprios problemas.
Num mundo cada vez mais competitivo, onde o conhecimento se tornou o maior património de uma nação, não podemos permitir que milhares de crianças e jovens cresçam sem contacto regular com os livros.
A leitura não serve apenas para passar nos exames; serve para desenvolver a inteligência emocional, fortalecer o espírito crítico, estimular a criatividade e formar cidadãos responsáveis.
É necessário que as famílias recuperem o hábito de ler com os seus filhos. Que as escolas transformem as bibliotecas em espaços vivos de aprendizagem.
Que os escritores sejam valorizados e que os livros estejam ao alcance de todos, independentemente da condição social ou da província onde vivem.
Transformar a leitura num projeto nacional significa investir no futuro de Angola. Um país que incentiva os seus cidadãos a ler investe na inovação, na ciência, na cultura e na democracia. Não há desenvolvimento sustentável sem educação de qualidade, e não há educação de qualidade sem uma verdadeira cultura de leitura.
Os livros têm o poder de mudar vidas. Um único livro pode despertar um sonho, mudar uma mentalidade ou inspirar uma geração inteira. Muitos dos grandes líderes, cientistas, empresários e escritores encontraram nos livros a motivação para transformar a sua realidade.
Chegou o momento de deixarmos de considerar a leitura um luxo. Ler é uma necessidade. É um instrumento de liberdade, de conhecimento e de progresso. O futuro de Angola também será escrito pelas mãos daqueles que hoje escolhem abrir um livro.
Que façamos da leitura um compromisso coletivo. Porque um povo que lê nunca deixa de crescer.
*Escritor, analista social e promotor da literatura