
A Subcomissão de Candidaturas do 9.º Congresso Ordinário do MPLA rejeitou a candidatura do general Higino Carneiro à presidência do partido, por alegadas irregularidades detetadas na documentação apresentada, anunciou hoje o coordenador daquele órgão, Job Capapinha.
Em conferência de imprensa, na sede do MPLA, em Luanda, Job Capapinha afirmou que a análise do processo revelou várias inconformidades, incluindo documentos e bilhetes de identidade falsificados, o que inviabilizou a validação da candidatura, nos termos das normas que regulam o processo eleitoral interno.
Segundo o responsável, o mandatário da candidatura declarou ter entregue 19.158 fichas de subscrição, distribuídas por 152 pastas. Contudo, no ato da receção da documentação, a Subcomissão verificou a falta de duas pastas correspondentes à província do Bié.
Após a contagem do material recebido, foram apuradas 14.493 fichas de subscrição, que posteriormente foram sujeitas a um processo de verificação.
De acordo com Job Capapinha, a análise identificou subscrições atribuídas a cidadãos que não constam dos Comités de Ação do Partido (CAP), utilização de cartões de militante descontinuados com datas recentes, listas de apoio assinadas pela mesma pessoa em nome de vários militantes e bilhetes de identidade falsificados, situação confirmada pelas entidades competentes.
Entre os casos destacados, o coordenador referiu uma declaração de apoio falsamente atribuída a Jamila Uguete da Silva de Almeida, membro do Bureau Político do MPLA, que comunicou por escrito à Subcomissão nunca ter assinado ou autorizado o documento.
Em Cabinda, acrescentou, foi igualmente detetada uma declaração de apoio acompanhada de um bilhete de identidade falsificado em nome de Mateus Miranda.
Segundo a Subcomissão, foram ainda encontradas falsas assinaturas, repetição de mapas de subscrição, duplicação de nomes em diferentes declarações de apoio e cartões de militante falsificados em várias províncias.
Da avaliação das 14.493 fichas recebidas, apenas 2.561 foram consideradas válidas, representando 17,6% do total. Outras 9.659 foram classificadas como inválidas e 2.273 consideradas falsas.
Face à gravidade das irregularidades, Job Capapinha informou que o processo será remetido aos órgãos competentes do MPLA para os procedimentos previstos nos estatutos do partido, adiantando existirem indícios suscetíveis de responsabilidade criminal.
O responsável acrescentou que o relatório da Subcomissão foi igualmente remetido ao mandatário da candidatura de Higino Carneiro para conhecimento e efeitos legais.