Trabalhadores do Cais da Boavista ameaçam paralisar atividade após mais de um ano sem salários
Trabalhadores do Cais da Boavista ameaçam paralisar atividade após mais de um ano sem salários
pescangola

Trabalhadores eventuais do Cais da Boavista, gerido pela Pescangola E.P., denunciaram alegados atrasos salariais superiores a um ano e exigiram o pagamento imediato dos valores em dívida, advertindo que as operações portuárias poderão ser paralisadas caso a situação não seja resolvida.

Ao Imparcial Press, os mesmos acusam a actual administração da empresa de acumular, desde Maio de 2025, dívidas para com empresas prestadoras de serviços que operam no cais, situação que, afirmam, tem impedido o pagamento regular dos salários aos respetivos funcionários.

Segundo os relatos, embora os navios liquidem as taxas de atracação antes de entrarem no porto, as empresas contratadas continuam sem receber os montantes devidos, comprometendo o funcionamento normal da atividade.

Os trabalhadores sustentam que muitos funcionários das empresas prestadoras de serviços estão há mais de um ano sem salários, realidade que dizem estar a agravar as dificuldades económicas de dezenas de famílias.

“A situação tornou-se insustentável”, referem os subscritores da denúncia, acrescentando que várias empresas enfrentam dificuldades para cumprir as suas obrigações financeiras, incluindo o pagamento de salários, rendas e outras despesas operacionais.

Os denunciantes afirmam ainda que o receio de perder contratos com a Pescangola impede muitas empresas de se pronunciarem publicamente sobre a situação.

Face ao impasse, os trabalhadores avisam que, caso as dívidas não sejam regularizadas após o período de paragem técnica atualmente em curso, deixarão de prestar serviços aos navios que escalarem o Cais da Boavista, cenário que poderá comprometer a atividade do porto.

Além da liquidação imediata dos salários em atraso, exigem a realização de uma auditoria às contas da Pescangola relativas ao período compreendido entre maio de 2025 e a atualidade, bem como o apuramento de eventuais responsabilidades da administração da empresa.

Os trabalhadores afirmam que optaram por tornar pública a denúncia de forma anónima, alegando receio de represálias, e sustentam que os funcionários efetivos da Pescangola têm conhecimento da situação vivida no cais.

O Imparcial Press contactou a administração da Pescangola para obter um esclarecimento sobre as acusações, mas não obteve qualquer resposta.

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